02.06.10

E pelos peixes também

Publicado em Catarse do Dia, Fiquei Pink às 2:02 am por Cláu

Então, daí que eu estava num dia desses meio de bobeira, sem fazer nada, e decidi me formar. Pois é, pois é. Para todos os efeitos, agora sou uma jornaleira de primista ou qualquer coisa assim. Detalhes, detalhes. Vocês sabem o que eu quero dizer, né?

É. Eu também não, sinceramente falando. Sei o que significa em termos práticos: quando a gente se forma, é comum abraçar pessoas queridas, celebrar, chorar um bocadin, comer pizza com a galera e matar o tempo em cima de um palco lotado até chegar sua vez de receber um canudo de veludo (nessa hora, é recomendável que você não tropece nos próprios pés, mas essa escolha é, naturalmente, muito pessoal).  A cerimônia toda é  poética, simbólica, tá legal.  Mas não pode ser só isso.

Foram quatro anos de faculdade. Quatro anos. Quatro anos. Engraçado como soa importante, né? Como… como se fosse muito tempo. Quatro anos é uma coisinhazinha assim. Passam tão rápido, tão sorrateiros.

(Você nem tinha largado a papinha e o cobertorzinho aos quatro anos de idade. Vai. Admite. Eu fico aqui esperando. Temos toooodo o tempo. Fica à vontade.)

E o mais legal é que todos nós sabíamos disso desde o primeiro minuto em que nos metemos nessa aventura acadêmica, amiguinhos.

Depois de cada aula genial, a gente sabia que, um dia, infelizmente, por mais que a gente se esforçasse, uma hora ia acabar (ou não, caso a gente se esforçasse muito em não se esforçar nada, mas vocês sacaram a coisa). Em cada Pororoca, entre uma e outra fantasia esquisita de Teletubbie, a gente sabia que as luzes iam apagar e só iam restar mais de mil palhaços tristes figuras no salão. Até nos JUCAs imaginários a gente sabia (ou imaginava) que tudo tinha um fim – afinal, ok, só a gente sabe porque não fica em casa, mas uma hora tem que pegar o busão, guardar o abadá no fundo da mala (sim, nos meus JUCAs imaginários todo mundo usa abadá. Laranja-elétrico. Com bolinhas azuis) e voltar pra realidade não-etílica. Droga.

Acho que, no fundo, como todos nós sabíamos que ia durar pouco, nadinha, ficamos no pique de fazer dessa fase a melhor de todas. Assim, meio inconscientemente mesmo. Ficamos mais bacanas, menos umbiguistas. Mais dispostos a passar noites em claro para terminar TCCs – os Trabalhos do Carlos Costa, é claro. A gente teimou e teimou pra fazer desses *Quatro Anos* uma coisa muito lindinha, construída em conjunto, toda colaborativa, multimídia e open source.

E poxa vida. Somos danados. Conseguimos. Danados! Vai dizer que não. Conseguimos! :)

Aí agora tem que deixar pra trás, é isso? É mesmo, senhor Locutor-de-Formatura? É isso mesmo? Mas assim, sem nenhum diálogo?

Bom. Eu gosto de pensar que não. Você deve gostar dum monte doutras coisas também, mas eu gosto disso. Eu gosto de pensar que esses *Quatro Anos* tão mencionados, tão contados nos dedos, tão rápidos, tão sorrateiros… valeram por uma vida inteira. Ou duas semi-vidas inteiras, se você for um isótopo instável.

A verdade, gente, é que foi muito mais que “quatro anos”. Às vezes pareceu mais que isso. Noutras, contudo, foi muito menos. Aí que tá a graça. Medir a importância dessa experiência pelo tempo de duração dela não faz sentido nenhum. Outros quatro anos virão, muito mais arrastados. E mais outros. E outros – alguns até serão anos bissextos, olha só que legal. Mas poucos serão tão incríveis quanto esses.

Muito obrigada. Por fazerem parte da minha vida, por me mudarem, blábláblá, por me ensinarem, bláblá, apoiarem, blá. Pelas piadas internas, pelos abraços, frases, telefonemas na madrugada, festas, discursos, sacudidas, bloguices, fofuras, apelidos idiotas, pelas conversas de corredor, por aquele dia lá no Laser Shots. Foi mó legal. A Marcha Imperial ainda tá na minha cabeça (e eu não tenho a menor esperança de que ela abandone esse posto algum dia).

Obrigada por mudarem a minha vida. É meio isso, na verdade.

E ok, eu até esperava esse monte de transformações em **quatro anos**, pra ser sincera. Só não esperava que fosse ficar tão satisfeita, tão animada com o que vai vir. Vocês elevaram os meus padrões, abriram perspectivas daquilo que é extraordinário. :) Só posso esperar pelo melhor. E é bem isso que eu vou buscar por aí.

Então… é isso aí.

Fiquem com nossos vídeos relacionados enquanto a blogueira que vos escreve vai lá no cantinho, ahm, tirar o cisco do olho.

So long, so long! And thanks for all the fish.
Douglas Adams sabe das coisas.

PS: Em tempo: em caso de Marcha Imperial na cabeça, assista a esse vídeo aí duas vezes. É tiro-e-queda.

01.31.10

a verdadeira razão

Publicado em Autismos, Catarse do Dia, Fiquei Pink, Loucura, loucura, loucura!, Nuntindu, nuntindi, Palavras, apenas, Por aí, Só., Teatrices às 11:14 pm por Cláu

Kiss me goodbye,
I’m defying gravity.

Esses dias me perguntaram (ró, como se eu estivesse andando na rua e fosse parada por centenas de rostos curiosos que imploram por uma opinião, daí escondi meu rosto dos flashes embaixo de um chapelão vermelho e desapareci na  multidão distraída sem deixar rastros. na real, foi uma amiga quem perguntou) porque eu resolvi fazer teatro e, pior, porque continuei nele. Na hora, pensei meio rápido e respondi, sem 100% de certeza, que gostava da sensação que eu tinha ao subir no palco e apresentar uma peça. A gente continuou conversando sobre isso e tal, mas voltei pra casa com pulgas atrás da orelha e macacos insatisfeitos no sótão. Oh, o belo reino animal que mora nas cacholas humanas.

A verdade é que eu não estava totalmente convencida dessa opinião, sabem? Claro que sabem. A gente passa por isso todos os dias e vai acatando respostas temporárias sobre nós mesmos porque é simples, né. Mó legal. Foi isso que eu fiz. Acatei. Deixei pra lá. Fui coçar os piolhos.

Foi então que tudo aconteceu.

(Ah, eu adoro pausas dramáticas. Vamos fazer mais uma.)

Eu jamais estava preparada para o que viria a seguir.

(Gente, juro, posso fazer isso o dia inteiro! Posso? Posso?)

A verdade caiu em minha cabeça como um raio.

(Tá, chega.)

Na verdade, foi uma música. Defying Gravity, canção original da peça Wicked, regravada pelos artistas do seriado Glee. Estava eu ouvindo uma ou outra coisa da trilha sonora da série – que eu ÃBO, sonho-de-vida é fazer musicais fierce pra televisão que nem esse – quando topo com essa música específica. Eu já tinha ouvido, mas na ocasião só achei bonita.

Agora o troço fazia total sentido, meu Deus.

Pense numa coisa que demanda muito esforço, muito mesmo, e mesmo assim você quer fazer. Você teima, teima, teima e nada arranca a ideia da sua cabeça, mesmo que você esteja brigando com todo mundo por causa disso. Isso, pra mim, era sinônimo de teatro. Sempre foi uma tarefa de Hércules garantir meu semestre seguinte na escola, mas eu teimei mesmo. Eu fiquei. Não arredei o pé. Em dezembro, apresentei minha última peça em um curso paralelo. Agora, só tenho o caminho profissionalizante esperando, caso tope fazer todos os dias, a sério. Ao todo, tô há cinco anos nessa de cursos paralelos e grupos desencontrados.

Mas descobri o que me trouxe até aqui, no meio dessa estrada esburacada e ilógica. Descobri porque fiquei no teatro todos esses anos e porque sinto esse comichão quando me passa pela cabeça a ideia de continuar os estudos e sair por aí fazendo peças, escrevendo roteiros e dirigindo ensaios.

É porque o teatro me fez – me faz – desafiar a gravidade todos esses anos. Sem querer fazer uma associação pobre, mas já fazendo, essa música está falando de mim. E de você.

Não fala de perseguir sonhos e estrelas, não – nada de culpar os inatingíveis. Fala do sincero, profundo e intenso sentimento de derrubar nossas próprias barreiras, cara. Torres de ametista que a gente levanta – ou aceita – sem grandes necessidades. Alguma necessidade sempre há, aquelas que nos dão argumentos que parecem indestrutíveis.

Essa música fala de fazer arte. Fala de fazer as coisas bem feitas e de maneira apaixonada – mesmo que seja necessário um novo esforço de Hércules para tanto. E fala de, num súbito e como se fosse natural, voar. Voar como se nada tivesse peso ou tudo fosse mais pesado que a gente. E não devia ser assim? Não devia?

Certo, antes que isso aqui fique mais neohippie que Carolinie Figueiredo, chuto o balde: vamos tentar desafiar a gravidade? Vamos? Por um dia, uma semana que seja? Vamos abolir esses pesos, vamos fazer teatro, vamos escolher algo significativo pra nossa vida e não vivê-la no ponto morto, como a gente sempre faz?

Sei lá. É só uma sugestão. Se eu demorar pra voltar aqui, desconfiem. Ou eu não cumpri nada disso… ou Carolinie Figueiredo me abduziu de vez.

(E aí a Cláu do futuro vai dar risada e falar “ok, sua neohippie idiota, você não precisava ter escrito tudo isso, mas até que pegou o espírito da coisa”. Espero eu.)

01.05.10

Publicado em Genéricos às 10:24 pm por Cláu

você percebe que mudou mesmo quando se vê obrigada a sair o mais rápido da comunidade “Linkin Park Brasil”.

é simples, mas é só isso, gente.

01.01.10

We’re caught in a trap, Bino.

Publicado em Autismos, Catarse do Dia, Palavras, apenas, Surtando e cantando às 8:09 pm por Cláu

Foi ontem, pouco antes dos fogos, da gritaria e do futuro. Ah, e das rabanadas.

Estávamos eu e as duas irmãs, a Fusco e a Ferraz, largadas na frente da tevê, conversando e mudando freneticamente de canal, tentando evitar qualquer coisa que contivesse as palavras “Enchanté” e “Sangalo”. Entre um episódio de Simpson e uma maratona de videoclipes da Kylie Minogue em trajes ousados,  topamos com um filme/especial/documentário sobre o homem mais maravilhoso desse e de qualquer outro planeta Elvis. “Yeeeey!”, disseram as três irmãs em coro, os seis olhinhos brilhando.

Momento flashback: eu cresci ouvindo Elvis. Lembro claaaramente quando minha mãe ganhou um especial com oito CDs dele, super deluxe,  há uns dez, doze anos. Ela simplesmente chorou de emoção e pulou nos braços do meu pai enquanto abria a caixa, gente. Elvis era tipo uma entidade superior, um membro da família. Minha Barbie dançava ao som de Elvis. Enfim, vocês entenderam.

Acontece que eu nunca tinha visto o cara em ação. Claro, já tinha assistido a uns filmes dele e ouvido os oito-CDs-edição-deluxe até furar (mãe, mãe, larga a faca, eu tô brincando). Mas , mas, mas… eu nunca tinha visto um show dele. Foi por isso que o filme/especial/documentário de ontem caiu como uma luva. E as cenas que eu vi quase me causaram um colapso.

Elvis não era só lindão, talentoso e charmoso até a borda. Não era só um dos últimos ídolos mundiais que existiu, não foi apenas um dos inventores do rock. Era um cara que fazia piada com as backing vocals, que desafinava e cansava no meio do show, era… putz. Era um gênio à sua própria maneira. E enquanto eu via o cara dançar freneticamente ao mesmo tempo que cantava Suspicious Minds – e fazia tudo isso pra uma plateia um tanto quanto blasé  (ou pelo menos não tão barulhenta) -, me caiu a ficha dum troço.

Os grandes ídolos mundiais ‘tão em falta. Os caras que mudaram os caminhos do rock, do pop, do cinema… tão indo embora. O que a gente tem, daqui pra frente, são vários ídolos segmentados, espalhadinhos pelo planeta, que não se preocupam em agradar multidões. Ficam felizes que algumas pessoas em alguns países gostem deles e tudo mais. Isso é até legal, mas alguma coisa meique se perdeu no caminho. Alguma inspiração genuína, um quê de verdade, sei lá. Pode ser impressão minha, mas…

Temos tanta banda que canta a mesma coisa. Tanta gente que se “inspira” em tantas outras. Tanta coisa igual, igual, iguaaaaaaaaaaargh. Prateleiras cansativas e enjoadas. Isso faz de nós pessoas mais cansativas e enjoadas. Blé. Sei lá.

Acho que é mais ou menos essa a ideia geral que ronda minha constatação/promessa/meta pra 2010. Vamos nos inspirar, galera. Vamos sair, viver, ouvir boa música, dar umas risadas, ler uns livros que explodam a cabeça. E depois vamos nos enfiar em casa e produzir, trabalhar, escrever até os dedos caírem. Vamos dormir um pouco, comer um tanto, vestir umas roupas bacanas e saltitar quando necessário for. Vamos fazer da vida algo mais inteligente, mais vivido, mais espontâneo. Vamos viver menos no automático, apostando naquilo que é fácil, certo… seguro.

Quer dizer, é só uma sugestão. É um desafio e tanto, esse, eu sei. Aliás, eu mesma tô aqui, falando, falando, sem saber exatamente por onde começar. Mas se teve alguma coisa que 2009 – e algumas pessoas em especial – me ensinou, foi isso: a vida tem seus grandes momentos e a gente não-pode-não-deve-não-por-favor perdê-los de vista. Nós temos grandes momentos, nós podemos ser nobres, interessantes, maduros. E a gente pode mudar alguma coisa.

Sei lá eu pra onde vou com tudo isso. Êta post mais maluco.

Mas é isso.

E ah! O Elvis:

Esse documentário chama “Elvis é assim” e é basicamente uma gravação dum show do Elvis de 1970. No vídeo, uma das minhas músicas favoritas, que eu tive a sorte de ouvir logo na estreia de 2010: “Suspicious Minds”, numa versão eu-sou-Elvis-pura-simpatia-e-rebolado. Reparem como ele abaixa (com sua jaqueta novíssima) e continua cantando. Mesmo com esse cabelo Alex DeLarge meets Wolverine, o cara é o máximo. E é só.

12.25.09

putz, entendi.

Publicado em Autismos, Catarse do Dia, Palavras, apenas, Surtando e cantando às 11:15 pm por Cláu

aprendizado súbito, cortante e definitivo numa noite de natal menos **mágica** do que o habitual:

de repente, todas as paixonites atuais e instantâneas param de fazer sentido, num acordo silencioso, mas certeiro. basta um mínimo movimento de rabo de olho e todas silenciam, como se jamais tivessem existido.

todas as visões antigas de um mundo encantado e encantador caem por terra como numa espécie de dança da corte inglesa em que todos param exatamente ao mesmo tempo, com movimentos leves e graciosos, mas firmes. e não se mexem mais desde então. nunca mais.

os conceitos já desfiados de beleza e otimismo não passam de baratas com gesso na barriga, espalhadas pela cozinha, que se aventuraram numa noite de orgias gastronômicas na casa alheia e, bom, morreram pelas mãos enfarinhadas e vingativas da Lady Macbeth Clarice Lispector.

é quase como se alguém tivesse apertado o botão de desligar de todo o encanto antigo que eu via no mundo.

mas o contrário.

mas ao contrário!

eu, que me preocupei tanto em ver cada pedacinho da minha vida com toques de Faber-Castell. eu, que tanto procurei a magia em certas coisas nunca tiveram sequer um rastro dela. eu, que criei tantas situações levianas na minha cabeça, eu, que me enchi de esperança e expectativa, ambas  vazias e caolhas, mas faladeiras. eu, que montei meu castelo de cartas por anos a fio sem me preocupar com suportes e bases.

eu agora vejo tudo caindo. caindo sem cerimônia, ih, caindo em câmera lenta e sem medo algum. pedaços e pedaços de castelos se espatifando no chão.

e o pior: sem fazer barulho.

mas é que de repente, tudo o que importa cabe mesmo num par de músicas, numa conversa em roda com seus amigos do teatro, numa foto, no eco das risadas, nas conversas muito sérias sobre os rumos da humanidade via MSN. nos tsurus deixados em cima de uma mesa toda bagunçada. num fone de ouvido compartilhado. nas lembranças.

(nas lembranças de verdade, nas memórias que eu carrego.

aquele dia em que eu fui embora e, sabe?, tinha alguém lá. e eu tinha motivos para aquele riso nervoso, aquela sensação de irrealidade, para os pés nas nuvens que eu fiz questão de arrastar, sem contexto, pelo resto da minha vida. eu tinha motivo…)

e nas saudades sem tamanho, que me provam que estou viva. viva, ainda.

e só começando.

12.12.09

dores de crescimento

Publicado em Genéricos às 10:11 pm por Cláu

Daí que você sabe que tem algo errado quando começa a se identificar forte com uma música da Rihanna, né (sem ofensa aos fãs da moça é só que ela não faz nem nunca fez meu meu tipo não me furem o olho enquanto eu durmo por favor ok obrigada). Senti que precisava voltar pras raízes agora, antes que tudo fosse perdido. Vinte e um anos de trabalho, gente, trabalho árduo. Pode jogar fora não.

Mas sabiquiquié?

Também não sei.

Eu podia culpar a Crise. As despedidas, cada vez mais machuquentas, mais frequentes, mais profundas, doídas mesmo. Podia culpar o fim do ano, que obriga a gente a se sentir estranho e inadequado e esquisito e eufórico enquanto decora a casa com neve artificial, sei lá. Época esquisita. Podia culpar esse nó que apareceu aqui dentro sem convite, sem cerimônia, sem nem trazer presente pra anfitriã. Esse medo, esse rabo de olho. Que raiva que eu tenho.

Podia culpar o adeus tão idiota que eu dei à minha cachorrinha. Ou a loucura do último de vida dela, que eu ainda não entendi, não caiu a ficha, não sei. As lágrimas não desceram como deviam, sabe? Meu coração implodiu sem fazer barulho. Isso é tão… não eu. As coisas geralmente são grandes demais por essas bandas de cá. Dessa vez foi grande, mas… sei lá. Acho que eu fui maior. Sei lá, sei lá, sei lá.

Podia culpar a saudade dos meus amigos – eles nem se foram ainda, mas eu sinto. As dores de crescimento. As tensões mal aplicadas. Os gestos que nunca foram terminados nem começados. Os tiros à queima-roupa que meu coração anda levando.

Quero um 2010 intenso como 2009, transformador como 2009. Poderoso. Esse ano foi genial, genial, paguei um pau pra ele do começo ao fim. Foi fantástico, absolutamente maluco. Fui lá, arrisquei, tomei chuva, me apaixonei, surtei, fiquei no fundo do poço, me enfiei num carro, conheci gente, reconheci gente, abandonei gente, mandei gente à merda, fui idiota, expansiva, retrógrada, uma babaca e a pessoa mais feliz do mundo. Eu quero um 2010 assim, assimzim, mágico. Respeitável. Foda. Quero me sentir nele. Quero recomeçar a brincar, vamos lá, de novo, de novo, Teletubbies. Quero 2010.

Mas com final mais feliz.

*Em tempo: nem a pau que eu vou falar qual música da Rihanna anda tocando no meu iPod mental. Não me obriguem.

*Em tempo 2: obrigada.

11.27.09

intencionalmente sem título I

Publicado em Catarse do Dia, Loucura, loucura, loucura!, Por aí, Só. às 12:07 am por Cláu

Esses dias decidiram se encontrar. Amigos distantes. Marcaram várias vezes de sair, mas os caminhos dos dois não se cruzavam de jeito nenhum. Um dia, um deles insistiu. O outro topou, talvez desesperado por contato, uma lembrança.

Sairam para tomar um café, arejar, ver o mundo acontecendo. Comentaram sobre a Lady Gaga, pediram dois cardápios, riram das besteiras da juventude. Amenidades. Foi nesse momento que o silêncio, sem sobreaviso, agarrou as orelhas e gritou, gritou até furar o que havia lá dentro. Havia uma distância entre os dois que não existia antes.

Ele arriscou um olhar profundo que chegou nela como um torpedo. Ela percebeu mágoa, não entendeu. Ele suspirou e sorriu tão levemente que o sorriso reverberou como miragem. E pareceu, por instantes, que ele tinha cento e dez anos.

Os cafés chegaram. E Beck começou a tocar ao fundo.

Não havia mais qualquer sombra de sorriso. É ele quem fala.

- Você me esqueceu.

Verdade. Mais pura verdade. Ela gaguejou para ganhar tempo.

- Não é verdade.

Mentira.

- Mentira. Você não faz questão de mim. Não somos mais cúmplices. Você me abandonou sem qualquer remorso, nada. Nada.

- Não… não é isso, eu… a vida faz essas coisas com a gente. A vida distancia as pessoas…

- Distancia quem quer se distanciar. Você e eu éramos unha e carne quando você precisou de mim. Eu estava aqui. Eu sempre estive aqui. Mas agora você não precisa de mim. Você precisa só dos seus próprios pensamentos…

Enganá-lo seria deslealdade, ela pensou. Não precisavam disso, pelos velhos tempos. Ela suspirou.

- Era um esforço que eu fazia, falar com você. Um esforço semanal que eu desisti de cumprir. Abri mão. Eu…

- Então eu era um fardo?

- Não… não é isso. Você me ajudava a racionalizar as coisas, você me ajudava a pensar. E externar o que eu sentia, bem ou mal. Mas de certa forma… alguma coisa em mim mudou. Minhas dores não eram mais minhas, virou uma só, estranha, constante, perigosa, viva. E por um momento, eu quis ter essa dor. Eu quis isso, eu quis… que você não facilitasse a minha vida. Eu quis que você deixasse de ser meu salvador. Eu queria trilhar sozinha, sabe?

- …

- Mas aí eu descobri outras maneiras. Eu tentei me sabotar. Descobri que aquela dor era um peixe muito grande pra mim. Mas não queria apelar para o meu grande subterfúgio, que era você e eu mesma, meu ensimesmamento, né?, e fui atrás de… pessoas. Pessoas que me ajudaram a esquecer, passar, seguir. Mudar. Pessoas que me pegaram pela mão ou me deram choques de realidade. E o mais incrível é que elas também sempre estiveram lá. Nem todas, mas algumas sempre estiveram lá. E eu aprendi tanta coisa com elas. Tanta.

- Uau, eu… isso me parece… brilhante.

- E é. É mesmo. – Ela sorriu.

- Então me parece que eu não sou mais uma peça vital para o seu bom funcionamento.

- Acho que você nunca foi, querido. Mas acho que ambos pensávamos assim, né?

- Você está sendo cruel porque acha que vai fortalecer o meu caráter?

- Não, meu bem. Só estou querendo dizer que você é meu blog. Eu jamais deveria depender da sua existência para ser feliz. Você, por outro lado, demanda a minha presença. E cá estou eu de volta. Apenas porque gosto de você. Eu não preciso de você e não tenho obrigações com você. É disso que eu preciso. É só isso.

E é por isso que eu voltei.

11.18.09

um troço

Publicado em Genéricos às 10:00 pm por Cláu

Não tem um dia em que eu não esteja no carro, no trabalho ou no balanço do busão e, por um momento, me passe pela cabeça a ideia de que eu devia postar aqui. Eu simplesmente tenho O MUNDO para postar e ó, ó só. Nada vem. Não escrevo.

Então tou tentando agora. Vamos ver o que sai. Tô com uma desconfiança grave de bloqueio, sabe? Então é melhor tentar destravar essa fase na marra.

Eu tô absolutamente torta de vontade de fazer uma retrospectiva desse ano que, pra mim, foi bastante… revelador. Maluco, eu diria. Maluco, maluco, insano mesmo. Parece que janeiro, março, abril… esses meses iniciais fizeram parte duma realidade alternativa. O que tá valendo se acumulou pra agora, pra reta final, pros últimos respiros do ano. Ma que baboseira, não? Se repartissem as emoções fortes em doses homeopáticas, eu num ‘taria sofrendão pra escrever esse post, muito menos pra me despedir desse mundo louco versão 2009.

Acho que me afeiçoei a ele. Mas é assim mesmo.

Eu queria registrar em algum lugar que esse ano foi absolutamente mágico, não no sentido vago da coisa, no sentido fácil. Foi mágico porque eu aprendi tanto em tão pouco tempo, vi tanta coisa, lidei com pessoas tão diferentes e assimilei… tão menos do que gostaria. Queria contar pra todo mundo que eu trouxe algumas pessoas pra minha vida que são absolutamente incríveis. Queria que vocês conhecessem. Queria que vocês conhecessem os outros que fazem parte da minha vida há mais tempo, também. Mas no fundo, não adianta: meu mundo, infelizmente, não tá aberto a visitação. O de ninguém está, na real. A gente tem vislumbres, faz visitas esporádicas. Às vezes quer o dinheiro de volta, acha que não valeu a pena o ingresso.  Mas a gente nunca vai saber realmente o que é a cabeça doutra pessoa, não por inteiro. Ainda bem.

Queria que vocês conhecessem o pessoal do meu trabalho, mas o post deles fica pra outro dia, quando eu tiver recuperado a minha dignidade. Um pouco dela, pelo menos.

Queria que vocês estivessem lá, junto, no TCC. Queria que tivessem conhecido o Sérgio, que tem sei-lá-quantas mil girafas em miniatura dentro de um apartamento, numa salinha abarrotada de estantes, ou tivessem empunhado o microfone em direção aos fãs da Laura Pausini enquanto eles gritavam por ela no shopping Paulista. Ih. Queria demais. Aí posts melhores que esse sairiam, se a cabeça e os olhos fossem de vocês. Certeza.

Mas é difícil condensar um ano todo em um post. É difícil transformá-lo em ideias lineares, que devem ser apresentadas a uma banca examinadora no dia 25 de novembro. É difícil explicar quem-é-não-sei-quem: existem absolutamente milhares de elementos que eu não vou conseguir te passar em palavras. É fisicamente impossível explicar a exata sensação de levar um tiro no meio da testa durante uma aula de teatro num sábado de manhã. É.

Mas vou continuar tentando.

(Adorei que, na URL, tá aparecendo que o título do post é “um troco”. Acho que é bem mais apropriado. Um troço, um troco. Tá tudo aí.)

(E de repente, não mais que de repente, virei uma dessas chatalóides com mania de “conceitual”.)

10.05.09

bum.

Publicado em Catarse do Dia, Só. às 1:35 am por Cláu

“It means that we’re just dolls. We don’t have a clue what’s really going down, we just kid ourselves that we’re in control of our lives while a paper’s thickness away things that would drive us mad if we thought about them for too long play with us, and move us around from room to room, and put us away at night when they’re tired, or bored.”

Quando eu era pequena, sabe do que eu tinha medo? Do céu. É a pura verdade. Eu morria de medo de olhar pras estrelas, medo mesmo, medo-pavor. Não sei o que me dava. Quando eu descobri que aquilo que eu via não era mais que o passado do céu, encarar o brilho eterno de Vênus e Marte se tornou ainda mais insuportável. Medo de fantasma. Ainda hoje não tenho uma relação muito simples com as estrelas. Vocês não tem ideia de como isso empobrece minhas referências. Tsc.

Acho que essa história de passado sempre mexeu comigo. As lembranças, sabe? Sempre fui uma jóia rara pra perder memórias. Esqueço de tudo, ou melhor, “esqueço”. É um jeito de facilitar as coisas, deixá-las assim, na superficialidade. A gente não tem como remexer no pasto sem sentir aquele leve cheirinho de merda. Eis uma proud procrastinadora falando.

Mas agora tô aqui, incapaz de esquecer. Incapaz de deixar qualquer coisa na superficialidade. Chorando com Up!, pensando em perda de memória  de verdade (culpem o meu curso de teatro) e com uma cabeça verborrágica. que não cala a boca. Ando topando qualquer parada, qualquer drama.

No fundo, a vida é isso, não é? Topar ou não topar. Descer do salto e dos muros e assumir, ou não descer e não assumir. Aproveitar. Ou não. Eu já neguei tudo que tinha pra negar, essa  coisa louca de arrastar as frustrações pra um baú. Tchanã! O baú explodiu e não foi de felicidade. O baú foi pelos ares. Mas isso já é demais. Topar tudo? Nem por dinheiro.

Eu, que tenho tanto bloqueio com o passado, tento apostar no futuro. Como uma mãe da minha eu-futura, quero o melhor pra ela. Quero que ela não sinta faltas, dores nem medos inadequados. Quero que ela tenha passado por todas as crises imbecis e momentos inadequados de interação social. Quero que ela, sim, olhe pra trás e veja que errou pouco. Ou errou muito. Fez qualquer coisa! E teve ao lado os melhores amigos.

Mas isso tudo é besteira, vocês sabem. Planejar é fácil. Esquecer do passado é simplesmente uma fuga burra. Vocês sabem disso, eu também sei. Engraçado.

Agora, meu foco é perder o medo de olhar pro céu. Quero poder apontar as estrelas, Vênus, Marte e Mercúrio, e sentir que fiz a minha pequena parte . Quero significado que não tenha significado além do próprio momento. Não quero explicar com palavras. Não quero imaginar. Quero só, inacreditavelmente, viver.

E ter alguém do meu lado nessa hora.

É só. É muito, mas é só.

09.12.09

minúsculos

Publicado em Genéricos às 10:34 pm por Cláu

imagem

via papertissue

daí que tem dias – podem ser absolutamente comuns, podem não ser – em que simplesmente não importa. não importa se o trânsito na Marginal está pavoroso ou não. não importa se o lanche da tarde vai ser pão ou brioche. não importa se a Maya fica com o Bahuan ou com o Raj. não importa o falatório na TV nem os dramas no Senado, nem as contas a pagar, nem a falta de arroz em casa. o pré-sal, nesses dias, tanto faz como tanto fez. as grandes tragédias passam batido. as grandes comédias idem.

tem dias que o melhor a fazer é ficar no seu canto, escolher boas músicas pra te acompanhar e é só. sem mistério.

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