aliens

Janeiro 14, 2012 - Deixe uma Resposta

Nunca foi sobre as estrelas.

Nem os unicórnios, nem as fadas, nem mesmo sobre os centauros. Nunca foi sobre os baús mágicos que nos levam a parte alguma, nunca foi sobre fugas rápidas num foguete nem escadas mágicas nem tapetes voadores. Nunca foi sobre se sentir como um morcego, acordar transformado num inseto, ser engolido por um jacaré no zoológico na frente de todos, viver perigos em montanhas geladas.

Sempre foi sobre gente e a capacidade de sonhar. Sempre foi sobre mim, sobre você, sobre todo mundo que a gente conhece e os lados que a gente esconde porque não são práticos. Sempre foi sobre sentar e contar histórias, ponderar, existir, imaginar, mudar. Sentir que o chão que a gente senta é mais real porque tem gente que não existe travando batalhas impensáveis e nos comovendo com questionamentos que são dos personagens, mas são nossos. Sentir que a realidade está mais viva por causa daquilo que não se vê.

E se eu puder descrever pra vocês a beleza que tem no olho de quem ouve uma boa narrativa, se eu pudesse explicar o pulso, a batida, a maravilha que é sentar em roda e dizer “me conte a melhor história que você conhece” e compartilhar como se fosse um segredo, um pedaço de si mesmo… aí sim, nesse dia eu não teria mais nada a dizer. E mal posso esperar para que ele venha.

dois mil e george harrison

Dezembro 30, 2011 - Uma resposta

O que dizer do ano mais importante da sua vida até agora? Do ano mais cheio de histórias pra contar, do ano de maior aprendizado e maiores sustos?

Hum. Essa é difícil.

Joguei a bomba pro George Harrison, essa constante no meu perfil do Facebook na minha vida, nas minhas amizades e trilha sonora dos momentos mais sensacionais do ano. Porque apesar da letra não traduzir cada segundo de 2011, apesar da melodia levemente triste não combinar com os momentos de euforia-e-dança-no-teto (que, ainda bem, foram numerosos e incríveis), essa foi a música que eu mais ouvi esse ano. Com motivo, sem motivo. A música que faz companhia e pensar pra dentro. Coisa boa.

Hit it, bro. 

Mas o que eu desejo mesmo pra vocês em 2012 é muito amor, cabeças de cervo que cantam, dancinhas fenomenais e relógios dançarinos:

E que o javali sorridente esteja com vocês!

questão de tempo

Novembro 17, 2011 - 2 Respostas

Vou compartilhar um segredo: uma das minhas missões secretas na vida é criar invencionices deliciosas como as dos caras do Improv Everywhere. Para quem não conhece, o Improv é um grupo novaiorquino que se reúne em flashmobs absolutamente inspiradores. Vale tudo: aparecer com um grupo enorme em um show de uma banda pequena, simular uma apresentação do U2 no telhado, organizar uma balada sem som em um parque, representar uma cena de Star Wars no metrô e até – um dos meus favoritos – incluir um megafone no meio da cidade para incentivar todo mundo a falar coisas bonitas para os outros. O pior é que não dá para a explicar a magia por trás do que esses caras fazem; você tem que ver os vídeos com seus próprios olhos. (:

A maioria dos membros do grupo é anônima, à exceção do fundador, Charlie Todd, que deu uma palestra interessantíssima no TED, o evento mais legal e criativo do mundo (sim, tô gastando todos os meus adjetivos bons nesse post):

O discurso todo do Todd é bem legal e exemplificado, mas uma pequena frase dele me chamou a atenção. Ele diz que quem assiste aos vídeos do IE pode ter a impressão de que esses caras têm muito tempo livre. Mas a verdade é que, na real, não é bem assim: o tempo que eles gastam narrando uma corrida de carrossel ou distribuindo high fives em uma escada rolante no metrô, por exemplo, é igual – ou menor –  ao tempo que a gente gasta vendo futebol na TV, para usar um exemplo que o próprio Todd dá. Basicamente, o cara deu uma lição de como usar melhor seu próprio tempo… e a real importância que damos para o que fazemos todos os dias.

Por que não quebrar a rotina? Por que não fazer algo legal em vez de derreter o cérebro por horas na frente do computador? E mesmo que não seja essa a sua pegada… quantas vezes você disse que não tinha tempo para fazer uma coisa que sempre quis?

Ando percebendo isso cada vez mais aqui em Liverpool, com meus horários muito flexíveis e a eventual preguiça de sair de casa quando está frio. A gente nem percebe, mas 24 horas podem ser não apenas produtivas, mas utilizadas de um jeito genial (e eu uso essa palavra com toda a segurança do mundo) como o do pessoal do Improv Everywhere. Não sei se é esse o segredo para um mundo mais feliz ou algo do tipo, mas uma coisa é certa: esses caras sabem como fazer as pessoas sorrirem e levarem boas histórias para casa.

Acho que essa é uma boa meta de vida, afinal.

perguntas realmente importantes

Novembro 10, 2011 - 3 Respostas

Agora há pouco, no Facebook, vi uma garota comentando que o filho dela adorava as fotos de animais que um amigo dela compartilhava na rede. O fotógrafo em questão respondeu algo como: “que legal! qual é o animal favorito dele?”

Às vezes acho que as perguntas mais legais do mundo são feitas para as crianças.

Depois de adulto a gente emburrece nos questionamentos. Pergunta coisa que não deve, que não quer saber. Emburrece ou entristece, sei lá. Ninguém mais quer saber o bicho favorito da gente. Mesmo que todo mundo tenha um, é claro.

Alguma coisa se perde pelo caminho e a gente nem liga.

acredite no conhecimento

Outubro 29, 2011 - Deixe uma Resposta

pela alegria de ver projetos andando, falando e até polemizando por aí.
(:

Às vezes a gente queima umas músicas de amor meio à toa

Outubro 20, 2011 - Uma resposta

mas vale a pena,

né não?

manda bala, C. S. Lewis

Outubro 7, 2011 - Uma resposta

Encontrei essa citação do C. S. Lewis em uma das minhas leituras sobre literatura de fantasia e decidi compartilhar.

(o grifo é meu. =))

“To be concerned about being grown up, to admire the grown up because it is grown up, to blush at the suspicion of being childish; these things are the marks of childhood and adolescence. And in childhood and adolescence they are, in moderation, healthy symptoms. Young things ought to want to grow. But to carry on into middle life or even into early manhood this concern about being adult is a mark of really arrested development. When I was ten, I read fairy tales in secret and would have been ashamed if I had been found doing so. Now that I am fifty I read them openly. When I became a man I put away childish things, including the fear of childishness and the desire to be very grown up.”

três novidades pra vocês:

Setembro 21, 2011 - Deixe uma Resposta

1) tô indo para a Inglaterra amanhã para ficar um ano e fazer uma pós maluca;

2) criei um blog para falar sobre todas as minhas desventuras nesse tempo;

3) o desiluminância vai continuar firme (?) e forte (?) de lá. =)

obrigada por lerem, visitarem e tudo mais! mesmo não postando há séculos, fico feliz da vida por ver que ainda tem gente por aqui. valeu mesmo!

stellar

Setembro 7, 2011 - Deixe uma Resposta

então, esse é um daqueles momentos da vida em que tudo está acontecendo na velocidade da luz. loucamente, incrivelmente, como se fosse sonho. não tem muito o que falar nem o que fazer, é uma coisa de deixar atônito mesmo.

mais ou menos como apreciar uma supernova.

vamos aproveitar.

 

(esses gifs insanos de lindos são parte do projeto Stellar, de Ignacio Torres. Vi no Don’t Touch My Moleskine. Ai, ai.)

It’s on.

Julho 15, 2011 - 4 Respostas

Faltam exatas (mentira) seis horas para a sessão de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2, e eu tô aqui, acordada, oficialmente no meu penúltimo dia de férias em Londres, refletindo sobre duas coisas. A primeira é que é um absurdo que o cinema aqui perto do hotel tenha uma área VIP (que história é essa, gente? Área VIP pra quê? Vou ver o filme no colo do Rupert Grint, é isso?). A segunda, um pouco mais delicada, foi a que me levou a escrever esse post. Não é curioso que certos pensamentos pareçam sensacionais e intrincados quando estão guardadinhos a sete chaves no crânio, mas virem pieguice da braba quando são colocados para respirar?

Bom, vamos tentar mesmo assim.

Como se fosse ontem, eu lembro dos dias em que esperava (apavorada, é bom frisar) por esse dia. O dia em que o desfecho de uma das maiores paixões que eu já tive finalmente iria chegar, dessa vez sem conversa. Harry Potter acabou, fim de papo, vamos seguir com as nossas vidas, moçada. Já deu dessa história de varinhas, vassouras e vilões sem nariz. Vamos crescer.

Soa bem natural, se você analisar com uma certa frieza. Esse tipo de envolvimento maníaco com uma pá de livros e filmes não é lá exatamente o que a gente pode chamar de hábito saudável, né. Além disso, a própria vida tem jeitos de te colocar no caminho racional, seguro e não-fanático, te arranjando um trabalho, prioridades diferentes e bons amigos que nem conseguem pronunciar o nome Weasley com muita segurança. A vida testa os pottermaníacos.

Ok, a vida testa todo mundo, mas vocês me entenderam. São quatro da manhã aqui, poxa. Sejam legais.

O curioso é que, ainda que a vida tenha essas manhas todas de tornar você mais responsável e menos curioso em relação a criaturas mitológicas (mentira²), ela também tem o dom de transportar você para o passado como se você tivesse uma cabine policial dos anos 50 máquina do tempo no bolso. E não é preciso muita coisa, não: um texto ali, uma resenha aqui, uma entrevista com seu ruivo favorito acolá e pronto, lá vamos nós parar nos 13 anos pela segunda vez – como se a primeira não tivesse sido… ehr… adolescente o suficiente.

É difícil analisar e se distanciar de algo que faz parte da sua vida desde que você se entende por gente. Por mais que eu saiba que Harry Potter não esteve lá desde que eu nasci, eu sei que foi importante para mim e, bom, para todo mundo que estava por perto. Eu não era a única maluca pelo garoto de cicatriz na testa; ele também era assunto constante com as minhas amigas, que jogavam RPG durante a aula de matemática e frustravam os meus planos de ser uma Hermione trouxa (e se elas lerem isso, vão me matar =)); ele se tornou importante para a minha família, que me via cada vez mais curiosa pelo que acontecia em mundos distantes. De repente, todo mundo falava nisso. Isso – que acaba hoje – virou bestseller, best-tudo. Nunca se viu igual.

E agora, acaba.

A vida começa depois de Harry Potter, gente. Vai ser tudo novo, como já foi. Menos expectativa e criaturas mágicas, mais imitações e vampiros frouxos. Mas a gente sabe o quanto foi legal, especial e único.

Harry Potter foi o nosso Woodstock nerd e bonitinho. Bora lembrar dele e romantizar à beça essa época saltitante das nossas vidas. Foi uma honra participar dessa bagunça com vocês. =)

(Sentido textual: não trabalhamos.)

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