intencionalmente sem título I
Novembro 27, 2009
Esses dias decidiram se encontrar. Amigos distantes. Marcaram várias vezes de sair, mas os caminhos dos dois não se cruzavam de jeito nenhum. Um dia, um deles insistiu. O outro topou, talvez desesperado por contato, uma lembrança.
Sairam para tomar um café, arejar, ver o mundo acontecendo. Comentaram sobre a Lady Gaga, pediram dois cardápios, riram das besteiras da juventude. Amenidades. Foi nesse momento que o silêncio, sem sobreaviso, agarrou as orelhas e gritou, gritou até furar o que havia lá dentro. Havia uma distância entre os dois que não existia antes.
Ele arriscou um olhar profundo que chegou nela como um torpedo. Ela percebeu mágoa, não entendeu. Ele suspirou e sorriu tão levemente que o sorriso reverberou como miragem. E pareceu, por instantes, que ele tinha cento e dez anos.
Os cafés chegaram. E Beck começou a tocar ao fundo.
Não havia mais qualquer sombra de sorriso. É ele quem fala.
- Você me esqueceu.
Verdade. Mais pura verdade. Ela gaguejou para ganhar tempo.
- Não é verdade.
Mentira.
- Mentira. Você não faz questão de mim. Não somos mais cúmplices. Você me abandonou sem qualquer remorso, nada. Nada.
- Não… não é isso, eu… a vida faz essas coisas com a gente. A vida distancia as pessoas…
- Distancia quem quer se distanciar. Você e eu éramos unha e carne quando você precisou de mim. Eu estava aqui. Eu sempre estive aqui. Mas agora você não precisa de mim. Você precisa só dos seus próprios pensamentos…
Enganá-lo seria deslealdade, ela pensou. Não precisavam disso, pelos velhos tempos. Ela suspirou.
- Era um esforço que eu fazia, falar com você. Um esforço semanal que eu desisti de cumprir. Abri mão. Eu…
- Então eu era um fardo?
- Não… não é isso. Você me ajudava a racionalizar as coisas, você me ajudava a pensar. E externar o que eu sentia, bem ou mal. Mas de certa forma… alguma coisa em mim mudou. Minhas dores não eram mais minhas, virou uma só, estranha, constante, perigosa, viva. E por um momento, eu quis ter essa dor. Eu quis isso, eu quis… que você não facilitasse a minha vida. Eu quis que você deixasse de ser meu salvador. Eu queria trilhar sozinha, sabe?
- …
- Mas aí eu descobri outras maneiras. Eu tentei me sabotar. Descobri que aquela dor era um peixe muito grande pra mim. Mas não queria apelar para o meu grande subterfúgio, que era você e eu mesma, meu ensimesmamento, né?, e fui atrás de… pessoas. Pessoas que me ajudaram a esquecer, passar, seguir. Mudar. Pessoas que me pegaram pela mão ou me deram choques de realidade. E o mais incrível é que elas também sempre estiveram lá. Nem todas, mas algumas sempre estiveram lá. E eu aprendi tanta coisa com elas. Tanta.
- Uau, eu… isso me parece… brilhante.
- E é. É mesmo. – Ela sorriu.
- Então me parece que eu não sou mais uma peça vital para o seu bom funcionamento.
- Acho que você nunca foi, querido. Mas acho que ambos pensávamos assim, né?
- Você está sendo cruel porque acha que vai fortalecer o meu caráter?
- Não, meu bem. Só estou querendo dizer que você é meu blog. Eu jamais deveria depender da sua existência para ser feliz. Você, por outro lado, demanda a minha presença. E cá estou eu de volta. Apenas porque gosto de você. Eu não preciso de você e não tenho obrigações com você. É disso que eu preciso. É só isso.
E é por isso que eu voltei.
um troço
Novembro 18, 2009
Não tem um dia em que eu não esteja no carro, no trabalho ou no balanço do busão e, por um momento, me passe pela cabeça a ideia de que eu devia postar aqui. Eu simplesmente tenho O MUNDO para postar e ó, ó só. Nada vem. Não escrevo.
Então tou tentando agora. Vamos ver o que sai. Tô com uma desconfiança grave de bloqueio, sabe? Então é melhor tentar destravar essa fase na marra.
Eu tô absolutamente torta de vontade de fazer uma retrospectiva desse ano que, pra mim, foi bastante… revelador. Maluco, eu diria. Maluco, maluco, insano mesmo. Parece que janeiro, março, abril… esses meses iniciais fizeram parte duma realidade alternativa. O que tá valendo se acumulou pra agora, pra reta final, pros últimos respiros do ano. Ma que baboseira, não? Se repartissem as emoções fortes em doses homeopáticas, eu num ‘taria sofrendão pra escrever esse post, muito menos pra me despedir desse mundo louco versão 2009.
Acho que me afeiçoei a ele. Mas é assim mesmo.
Eu queria registrar em algum lugar que esse ano foi absolutamente mágico, não no sentido vago da coisa, no sentido fácil. Foi mágico porque eu aprendi tanto em tão pouco tempo, vi tanta coisa, lidei com pessoas tão diferentes e assimilei… tão menos do que gostaria. Queria contar pra todo mundo que eu trouxe algumas pessoas pra minha vida que são absolutamente incríveis. Queria que vocês conhecessem. Queria que vocês conhecessem os outros que fazem parte da minha vida há mais tempo, também. Mas no fundo, não adianta: meu mundo, infelizmente, não tá aberto a visitação. O de ninguém está, na real. A gente tem vislumbres, faz visitas esporádicas. Às vezes quer o dinheiro de volta, acha que não valeu a pena o ingresso. Mas a gente nunca vai saber realmente o que é a cabeça doutra pessoa, não por inteiro. Ainda bem.
Queria que vocês conhecessem o pessoal do meu trabalho, mas o post deles fica pra outro dia, quando eu tiver recuperado a minha dignidade. Um pouco dela, pelo menos.
Queria que vocês estivessem lá, junto, no TCC. Queria que tivessem conhecido o Sérgio, que tem sei-lá-quantas mil girafas em miniatura dentro de um apartamento, numa salinha abarrotada de estantes, ou tivessem empunhado o microfone em direção aos fãs da Laura Pausini enquanto eles gritavam por ela no shopping Paulista. Ih. Queria demais. Aí posts melhores que esse sairiam, se a cabeça e os olhos fossem de vocês. Certeza.
Mas é difícil condensar um ano todo em um post. É difícil transformá-lo em ideias lineares, que devem ser apresentadas a uma banca examinadora no dia 25 de novembro. É difícil explicar quem-é-não-sei-quem: existem absolutamente milhares de elementos que eu não vou conseguir te passar em palavras. É fisicamente impossível explicar a exata sensação de levar um tiro no meio da testa durante uma aula de teatro num sábado de manhã. É.
Mas vou continuar tentando.
(Adorei que, na URL, tá aparecendo que o título do post é “um troco”. Acho que é bem mais apropriado. Um troço, um troco. Tá tudo aí.)
(E de repente, não mais que de repente, virei uma dessas chatalóides com mania de “conceitual”.)
bum.
Outubro 5, 2009
“It means that we’re just dolls. We don’t have a clue what’s really going down, we just kid ourselves that we’re in control of our lives while a paper’s thickness away things that would drive us mad if we thought about them for too long play with us, and move us around from room to room, and put us away at night when they’re tired, or bored.”
Quando eu era pequena, sabe do que eu tinha medo? Do céu. É a pura verdade. Eu morria de medo de olhar pras estrelas, medo mesmo, medo-pavor. Não sei o que me dava. Quando eu descobri que aquilo que eu via não era mais que o passado do céu, encarar o brilho eterno de Vênus e Marte se tornou ainda mais insuportável. Medo de fantasma. Ainda hoje não tenho uma relação muito simples com as estrelas. Vocês não tem ideia de como isso empobrece minhas referências. Tsc.
Acho que essa história de passado sempre mexeu comigo. As lembranças, sabe? Sempre fui uma jóia rara pra perder memórias. Esqueço de tudo, ou melhor, “esqueço”. É um jeito de facilitar as coisas, deixá-las assim, na superficialidade. A gente não tem como remexer no pasto sem sentir aquele leve cheirinho de merda. Eis uma proud procrastinadora falando.
Mas agora tô aqui, incapaz de esquecer. Incapaz de deixar qualquer coisa na superficialidade. Chorando com Up!, pensando em perda de memória de verdade (culpem o meu curso de teatro) e com uma cabeça verborrágica. que não cala a boca. Ando topando qualquer parada, qualquer drama.
No fundo, a vida é isso, não é? Topar ou não topar. Descer do salto e dos muros e assumir, ou não descer e não assumir. Aproveitar. Ou não. Eu já neguei tudo que tinha pra negar, essa coisa louca de arrastar as frustrações pra um baú. Tchanã! O baú explodiu e não foi de felicidade. O baú foi pelos ares. Mas isso já é demais. Topar tudo? Nem por dinheiro.
Eu, que tenho tanto bloqueio com o passado, tento apostar no futuro. Como uma mãe da minha eu-futura, quero o melhor pra ela. Quero que ela não sinta faltas, dores nem medos inadequados. Quero que ela tenha passado por todas as crises imbecis e momentos inadequados de interação social. Quero que ela, sim, olhe pra trás e veja que errou pouco. Ou errou muito. Fez qualquer coisa! E teve ao lado os melhores amigos.
Mas isso tudo é besteira, vocês sabem. Planejar é fácil. Esquecer do passado é simplesmente uma fuga burra. Vocês sabem disso, eu também sei. Engraçado.
Agora, meu foco é perder o medo de olhar pro céu. Quero poder apontar as estrelas, Vênus, Marte e Mercúrio, e sentir que fiz a minha pequena parte . Quero significado que não tenha significado além do próprio momento. Não quero explicar com palavras. Não quero imaginar. Quero só, inacreditavelmente, viver.
E ter alguém do meu lado nessa hora.
É só. É muito, mas é só.
minúsculos
Setembro 12, 2009

via papertissue
daí que tem dias – podem ser absolutamente comuns, podem não ser – em que simplesmente não importa. não importa se o trânsito na Marginal está pavoroso ou não. não importa se o lanche da tarde vai ser pão ou brioche. não importa se a Maya fica com o Bahuan ou com o Raj. não importa o falatório na TV nem os dramas no Senado, nem as contas a pagar, nem a falta de arroz em casa. o pré-sal, nesses dias, tanto faz como tanto fez. as grandes tragédias passam batido. as grandes comédias idem.
tem dias que o melhor a fazer é ficar no seu canto, escolher boas músicas pra te acompanhar e é só. sem mistério.
Magal & Eu
Agosto 17, 2009
Eu podia fazer um grande texto sobre as coincidências esquisitas dessa vida. Podia frisar que a Avenida Paulista é sempre a deuteragonista das situações mais absurdas que acontecem comigo. Podia descrever a estranha magia no ar naquele dia quando duas meninas da Trip vieram interrogar a mim e minhas amigas sobre últimos desejos. Podia, inclusive, acrescentar que nunca tinha parado pra pensar nessa de final words, mas acho que a minha escolha foi boa: um pocket show com Sidney Magal, champagne e amigos.
E bem que eu podia me esforçar para narrar o choque elétrico que levei quando a dona-moça da Trip me liga no trabalho, avisando que, ohyeah, meu último desejo ia ser atendido (sem que eu precisasse morrer, importante frisar).
Eu podia usar mais de mil palavras pra explicar e descrever a magia do momento, né.
Resolvi usar a outra opção.

Perdeu, Sandra Rosa. Peeeerdeeeeeu.
Ó, eu nunca faço isso. Não faço porque esse blog não é dessas cousas, sabe? Jornalismo. Tsc. Jornalista, pra mim, tem que ser jornalista até nos ossos – e meus ossos não se sentem, assim, particularmente jornalistas. Mas ao mesmo tempo tenho um grande querer bem, uma simpatia alimentada com muito custo deeesde 2006 por essa profissão ben(?)dita, e muitas coisas que aprendi nessa longa estrada (ahahah ahaha aha) vão servir pra minha vida, não importa o que eu faça dela.
Aí me vem um site e um blog querendo listar as 30 coisas que o estudante de jornalismo deve fazer nas férias. Ah, meu amor, não crie rugas nessa testa de 21 anos. Não vou dizer que a ideia por si só é um tanto… ilusória, já que estagiário não costuma esbanjar dias de descanso, mas os conselhos não são exatamente o que a gente pode chamar de… sei lá, a última palavra em jornalismo desde Gay Talese.
Do que me adianta, meu santo bom Deus, ter um post retuitado 20 vezes? E o que seriam 100 fotos surpreendentes – closes do seu boxer babando em ângulos fenomenais podem tocar o terror e surpreender muita gente, por exemplo. Mas a melhor de todas, creio eu, é a dica 13: recorte e redimensione fotos em um Photoshop da vida. Recortem, crianças, recortem tudo! Isso vai ser bom pra sua carreira! Dá pra colocar no currículo!
Olha, eu não estou apontando dedos pra ninguém, nem mesmo acho que o post esteja mal-elaborado. Cada um segue as dicas que quer e algumas delas são bem legais: fazer um blog, por exemplo, é super saudável. Ter um RSS pra acompanhar sites bacanas também é super prático e é muito bom ter bastante contato com novas tecnologias, pois você vai precisar delas mesmo que faça parte da Resistência. Mas se eu tivesse que escolher um tópico que salva realmente essa lista, seria o último (abre aspas):
Lembre o motivo de por que você quer ser um jornalista.
Afinal, por que cazzo você está às 3h da manhã, na frente de um computador, lutando contra a gravidade cada vez mais evidente em suas pálpebras, pra editar um vídeo de cinco minutos? Por que, meu querido, você fica aí, escrevendo besteiras sobre o metrô nesse tal de Tuit, em vez de fazer algo que dê mais dinheiro e paz de espírito? Qual a razão de ligar freneticamente praquele especialista enjoado que claramente não quer te atender, ou para aquela perfilada difícil, mas que você faz questão de ouvir? Por quê? Por queeeeeê?
Não sei. Você é que sabe, ué. Cada um tem seus motivos. Mas todos eles podem ter um ponto, um minúsculo pontinho unificador e bastante esperto: a paixão. No fundo, no fundo, aquilo é o que você gosta – ou está mais perto disso do que qualquer outra coisa – de fazer. Gente, que loucura! Você… você gosta de editar vídeos até o fim da madrugada. Gosta de trabalhar durante o fim de semana e apurar por meses só pra ver o seu infográfico reluzente ganhando um Malofiej. Gosta de escrever uma reportagem linda, que passe pela edição quase inalterada, e gosta de revisar os textos que chegam na sua mesa, mesmo achando que isso não é jornalismo. Gosta de transcrever entrevistas.
Tá, tá, ok. Ninguém gosta de transcrever entrevistas. Mas é importante fazê-lo e você sabe disso porque, afinal, há um objetivo maior. Tem que ter, mesmo que não faça sentido pra mais ninguém. Afinal, você não escolheu jornalismo à toa, apontando o primeiro curso que apareceu no Guia do Estudante (se você fez isso, me desculpe, talvez essa parte do texto não faça muito sentido, ok). Não vamos falar em vocação e outros bichos; talvez você tenha aprendido a gostar de jornalistar, simplesmente. Isso é bom.
Daí que depois de toda essa corredeira de palavras, tomei a liberdade de desenvolver uma lista própria de 10 coisas que o estudante de jornalismo poderia, entre um frila e outro, fazer nas férias. Bastante utópica, talvez ingênua (como este post, devo dizer), mas a intensidade de cada dica fica por conta de vocês – e de mim também, é claro: preciso começar a seguir meus próprios conselhos. Espia:
1. Antes de retuitar aquele link fenomenal, clique nele e leia a página do começo ao fim. É bom demais ser o primeiro a dar a informação, mas podemos estar mandando bobagem adiante. Quando alguém percebe um absurdo, você se defende: “mas eu não li direito”… né verdade? Não é muito legal.
2. Tire fotos daquilo que te surpreende e mostre para seus amigos. Conte de onde veio a ideia, quem eram as pessoas na fotografia, o que faziam. Se quiser editar, edite, oras. É mais divertido e menos confuso do que parece e pode dar um toque lindo no seu trabalho. Dê uma olhada em tutoriais, se for o caso.
3. Olhe para as pessoas. Linhas de expressão, marcas de nascença, tudo conta uma história. Tente sacar os mini-contos que cada um carrega, ou apenas imagine. Lembra do Sherlock Holmes? O segredo daquela genialidade absurda estava nos detalhes deixados em cada cena do crime, em cada suspeito. Você não precisa ser Sherlock para deduzir certas coisas. Deduza! E, se possível, confirme, mesmo que só pela diversão. Faz um bem danado. E ah, claro, você nem precisaria dessa informação, mas deduzir não é preconceitar.
4. Inspire-se profundamente. Gosta de Machado? Leia Machado e o que mais vier junto. Adora uma banda em particular? Escute grupos que se inspiram nela. Clique em blogs legais, visite museus, brinque, vá ao teatro ou ao cinema, ou alugue aquele filme velho, velho, que só você tem paciência pra assistir pela décima oitava vez. Deixe-se ficar enlevado – tudo o que você escrever e produzir depois disso vai sair bem melhor.
5. Referências, referências! Jornalistas adoooram uma referência, uma anotação pitoresca e, ah, como esquecer dela, uma boa metáfora. Gaste um tantinho de cérebro pensando em coisas que poderiam estar ligadas, espelhos, citações. Pode ser só pela diversão, também, mas dá pra fazer durante o trajeto do metrô e não custa nada.
6. Duas palavras: jornalismo literário. Se a sua vida não faz mais sentido, se você tem vontade de queimar releases em uma grande fogueira e empurrar seu chefe bem para o meio dela, se você xinga aquela assessora estúpida por não passar o ramal certo da sua fonte… respire fundo, sente-se e vá ler um perfil, uma reportagem bem elaborada, um livro da Eliane Brum. Esqueça por um minuto as tragédias na Bolsa de Valores ou o número de acidentes na Fernão Dias e tenha acesso a bom jornalismo. Claro que dá pra encontrar esperanças nas hard news, mas a notícia bem bem-acabada, com menos corre-aqui-pega-ali, bom, esse tipo de jornalismo dá o maior gosto. É o jornalismo que cria imagens na sua cabeça.
7. Banque o editor carrasco consigo mesmo. Escreveu um texto? Seja chato: confira vírgulas, frases, palavras, tudo, tudo mesmo. Só por diversão, apague frases e pense em um outro jeito de construí-las. Os créditos estão lá? Pois trate de colocar os créditos. (Aliás, a ideia desse post veio daFabz, lá do meu trabalho. Valeu, Fabz!) Ai, parece bobo, né? Então aguenta quando seu professor/chefe voltar à rotina particularmente chateado com o fim das férias.
8. Respire outros ares. A vida não é jornalismo. A vida não é jornalismo. A vida não é jornalismo, mas jornalismo tem muito a ver com viver. Pegou? Agora vá gravar um vídeo que vai ser o novo hit no Youtube ou lavar seu cachorro.
9. Clássica e clichê: relembre o porquê de estar na profissão. Começamos assim o post e é mais ou menos assim que ele termina. Seus princípios podem ter mudado e seu foco também – aliás, a graça é essa. Se você acha que não tá ornando, que jornalismo não tem mesmo nada a ver com você, muda de rumo, oras. Já tem muito jornalista entediado nesse mundo, que não muda de ares por medo, mas também não quer ficar. Que que acontece? Na maioria dos casos, um jornalismo ruim, chato de ler, sem graça, sem gosto, meh. Em outros, raros, o trabalho é bom, mas o profissional é infeliz. E aí?
10. Cansou? Ui, esse post foi longo, né. Mas a minha última dica nessa lista absolutamente pretensiosa é também gabaritada: saiu da boca, mais ou menos nesse formato, do Marcelo Duarte, o autor do Guia dos Curiosos, que eu tive a sortezinha de entrevistar pro meu TCC. Quote: “seja curioso. Jornalista tem que ser curioso”. Mais do que prestar atenção e fazer perguntas, você deve realmente querer saber a resposta pra elas – e não se conformar com apenas uma versão. Arranje um jeito, uma motivação aí dentro de você pra fazer do seu trabalho a profissão “mais honesta do mundo”, segundo Gay Talese.
Jornalismo pode ser gostosão de fazer ou pode ser um saco. Pode ser apenas uma parte da sua vida ou uma vida toda. Pode ser bonito e emocionante ou feio e embrulho de peixe na manhã seguinte. Pode ser feito com Sazon ou nas coxas. You decide.
Sei lá. Sou só uma estudante de jornalismo e ainda vou ter muito sapo pra engolir pela frente. Um dia vou ver esse post e achar uma bobagem completa, que a vida real não é assim, que deadlines estão aí e vão acabar me causando uma síncope e me hospitalizar por semanas e… bom, e tudo mais. Mas uma coisa, pra mim (o blog é meu, né), é certa: fazer o que gosta – mesmo o que não gosta dentro daquilo que gosta – e sentir que dá certo e dá jogo… putz, isso é fenomenal, acho que é o que eu quero pra minha vida. Sei lá o que você, leitor desavisado, que esbarrou nesse blog por acaso, coitado, quer pra sua. Mas espero que te faça bem.
E é isso. Próximo tópico?
ilha desconhecida
Julho 1, 2009
- Eles já foram?
- Já.
- Achei que não iam nunca, meu Deus.
- Não se preocupe. Aqui é bem tranquilo.
- As pessoas sempre me disseram pra ter cuidado com o que eu faço. Mas nunca liguei muito pra detalhes. Cuidavam de tudo por mim. Vou sentir falta…
- Deu um susto em todo mundo. Agora tem que ficar se escondendo, como a gente.
- Pois é. Mas não dá pra reclamar… tratamento de primeira…
- É, eu gosto daqui. É melhor que… bem, você sabe.
- Tem mais gente aqui?
- Os de sempre. Tem uns que vem e voltam.
- Voltam?? Ih! Será que, então…
- Você fez a sua escolha. O seu caso é diferente. Não dá pra voltar. Muito arriscado.
- Eu sei, mas…
- Os primeiros meses são sempre difíceis, mesmo.
- Mas… ele…?
- Sim, tem ele, sempre ele… As pessoas tomam este rapaz como exemplo, mas sabe, não deviam. Ele é um mestre no que faz. E o caso dele…
- Você nunca voltou?
- Uma vez. Uns fãs me confundiram com um sósia, não foi grande coisa. Foi bem triste, na realidade.
- Eu poderia fazer isso. Eu poderia ser um sósia!
- Mais tarde, talvez. Agora não. Você mesmo disse que não podia reclamar de como estamos tratando você.
- …
- Tome uma água de coco, um solzinho. Vai fazer bem.
- Não quero tomar sol.
- …
- Eu tenho tanto pra contar, pra explicar… eu… era cedo.
- Sempre é cedo.
- Eu poderia voltar disfarçado.
- E fazer o que com isso?
- Ouvir… ler o que estão dizendo. Dar um depoimento como se eu fosse da família. Sei lá.
- Acredite, daqui uns anos vão esquecer tudo. Eu era exatamente seu oposto quando vim pra cá. E fui perdoado. A memória das pessoas está cada vez mais curta. Já fizeram pesquisas sobre isso, é verdade.
- Mas…
- Olha, não se aborreça. De verdade. Encare como um recomeço.
- Você é praticamente um guru. Parece simples quando você fala desse jeito.
- É simples. Não há outra opção, na verdade. Eu fiz o mesmo caminho. Não foi fácil. Abri mão de boa parte do meu ego. Mas…pense, pelo menos você não estava na sua fase mais produtiva.
- Eu ia voltar… eu estava voltando à forma.
- Pff, tanto quanto eu. Olhe, tem alguém chegando!
- Cadê? Ah meu Deus, é ele! Eu sempre quis acertar as coisas com ele… Devo ir até lá?
- Vai, vai logo!
- Pa…! Ei!… Ele foi embora!
- Ele sempre faz isso. Se não é ele, é o sósia. Reparou nos pés descalços? Era ele mesmo, dessa vez… não perde essa mania.
- Então por que você não me avisou?
- Queria que você tentasse, pelo menos.
- Sabe, o Triângulo das Bermudas não é tão divertido quanto eu imaginava.
- Espere o pessoal do Lost chegar. As coisas sempre ficam animadas quando eles aparecem por aqui. Você vai gostar do Sawyer.
- Vai te catar, Rei do Rock.
- Depois de você, Rei do Pop.
(Uma homenagem herege, ruim e sem timing. É que, no momento, eu tô super sem tempo pra timing. Mas amava o #MJ.)
da anti-auto-sabotagem
Junho 18, 2009
Vou ser direta, pra todo mundo entender.
Se você não se auto-sabota, feche essa página imediatamente.
Calma, calma. Pensando bem, leia o resto do parágrafo porque eu vou te elogiar mais um tiquinho. É que assim: eu vou explicar o que é a auto-sabotagem, sabe. E você, que não se auto-sabota, não vai querer virar um auto-sabotador. Você não vai nem querer saber dessas pessoas que pisam em falso por vontade própria – quem seria tão estúpido? Você é uma pessoa feliz na medida do possível, que faz as coisas que tem vontade, que não tem que brigar consigo mesmo pra seguir este ou aquele caminho. Você tá na boa e isso é legal.
Pronto, agora você pode fechar essa página. Você não vai querer saber das minúcias, das bizarrices mentais, dos trâmites neurológicos e das confidências secretíssimas do sistema pra lá de nervoso de um auto-sabotador. É muito doentio, muito maluco. Não faz nenhum sentido pra quem tá lá fora, pra quem não pertence a esse grupinho esquisito de tímidos e neuróticos.
Ah, então você quer saber o que é sabotar a si mesmo? Ok, eu vou falar. Você pediu! Você leu até aqui, meu caro, e isso quer dizer alguma coisa. Leu até aqui, aliás.
Até AQUI! DEUS! Eu tô avisando, cara, eu tô te dando chances, uma atrás da outra! Você tá desperdiçando, tá abrindo mão, olha só isso. Você PODIA fechar esse post e não fez isso! Por quê? Por quê? A auto-sabotagem é um negócio tão besta, tão estúpido, vale a pena procurar saber o que é isso, afinal?
Cara, abra seu coração, você sabe que quer fugir daqui. Você sabe que nada pode ser tão ruim quanto se auto-sabotar e impedir a própria felicidade. Sabe… o único empecilho aí é você e suas neuroses woodyallenianas. Elas impedem que as suas pernas se movam e que você simplesmente diga – oi!. É tudo. Culpa. SUA! Não é terrível? Não é abismal? Sai dessa antes que você fique envolvido também!
Fecha esse blog! Fecha NOW!
Olha, quer saber? Tô perdendinho a paciência, já. Você tem 3 segundos. Vou contar.
3.
2,75.
2,74.
2,50.
2,42.
2,1,0 CABÔ! Cabô, não tem mais jeito, some, some daqui agora! Vaaai! Xôô! Xispa! Fuja enquanto é tempo! Vaaai! A água tá batendo na bunda, olha! Vai! Remem! Remem!
…
Tá vendo? Isso é (mais ou menos, néam) se auto-sabotar. Isso é o que seus neurônios gritam enquanto você faz o contrário. ISSO é o equivalente (em proporções menores, é claro) a fazer a coisa errada na hora que parecia certa, tão certa! Aí você vai lá e… desperdiça. Joga fora. Teve tanta chance pra ser feliz, pra fazer direito a coisa como se deve e não ter culpa nenhuma na consciência… ou no cartório. Você jogou cada chancezinha fora.
Parabéns. Você é um belo dum auto-sabotador. Eu também. Aceita uma bolachinha? Aqui está a carteirinha de sócio. Tenha uma boa vida.
Se conseguir.
[/amargura]
redes
Junho 7, 2009
Gente, vou voltar com esse blog. Tô com saudadzinha monstra e cheia de posts pra postá. Daí que o primeiro deles, como prometido para a compositora, é o Batidão da Força, que eu achei genial – devo registrar que, apesar da composição não ser minha, os genes são compartilhados – e resolvi postar aqui. E vai:

Ele já tá envolvido
