fossa

Pra todos os efeitos, amor de amigo é amor-amor.

Então a gente pode, sim, se despedir no trem fazendo careta um pro outro, dando risada sem graça e mandando beijo no ar. Pode, sim, sentir saudade do jeito de vestir, do sotaque, do jeito que a pessoa fala “coxinha”. Pode, sim, perceber a falta que fazem as pequenas coisas. A cantoria. As histórias sobre cactus. As plantas com nome. As teorias sobre os humanos. As conversas bestas e as perguntas sérias. A maledeta tradição de pegar táxi na chuva e dar risada por repetir essa besteira toda hora.

Amizade tem tudo isso, sim. E as lembranças da amizade não são doídas, como as dos amores que acabam. São lindas. São coloridas, são pra sempre. Passar na frente do restaurante que vocês foram e lembrar não do copo d’água que você quis arremessar na cara daquele cafajeste, e sim do chá com gosto esquisitíssimo que todo mundo se atreveu a tomar – e repetir a dose. Pensar que cada canto da cidade sou eu tem ecos das risadas de vocês. Amor de amigo é lindo.

Amor de amigo é pra sempre.

Mas hoje um amor-amigo foi embora e eu me dou o direito de ter toda a fossa do mundo.

2 thoughts on “fossa

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