O palquinho

Oi.

Faltam quinze minutos para o dia dos professores acabar e cá estou eu, teclado em mãos, querendo dizer alguma coisa. Encafifei.

Na verdade, acho que o que eu precisava mesmo dizer é que, quando eu era mais nova, achava que devia ser “alguém na vida”. Não faço muita ideia do que isso queria dizer, mas com certeza meus planos envolviam um palquinho, um microfone antigo e um discurso de agradecimento. Nele, eu mencionaria todas as pessoas que me ajudaram a chegar lá – e sei lá eu o que era esse . O importante é que eu sempre me imaginava falando o nome de amigos, parentes e de alguns professores nessa cerimônia solene. Queria agradecer às pessoas bacanudas que ajudaram a construir meu jeito de ver o mundo (não sei se fizeram algum bem com isso, mas acho que eu estava bem satisfeita na época).

Com o tempo, porém, isso começou a me incomodar sob todos os aspectos possíveis. Na época que eu planejava o discurso e futuro perfeitos, ainda estava no começo do terceiro colegial. Não fazia ideia da quantidade de amigos que iam passar por mim ou o quanto aprenderia com as minhas irmãs, meus pais e cachorrinha, que nem tinha entrado na dança ainda. Mas o que mais surpreendeu – e é que mora o absurdo da coisa toda – é que eu fosse ter professores que contrariavam tudo aquilo que um dia eu iria defender, com vozinha chorosa e aguada, no meu discurso pomposo e tão planejado. Todas as minhas certezas foram caindo por terra… e eu só conseguia olhar para os destroços delas com cara de boba. Clássico.

Foi a coisa mais extraordinária que podia acontecer. Afinal, isso que é aprender, não? Derrubar muros, desenterrar trilhas, driblar obstáculos e enfrentar chefões. São experiências empolgantes e cansativas – e prometo que param por aí as metáforas de videogame. Não dá para resumir o aprendizado em um roteiro bonitinho e controlável. Ele faz curvas, atalhos, voltas. Vou continuar digerindo o que eu apreendi aos 9, aos 16 e aos 20, mesmo que não tenha consciência disso agora. Aliás, parece que isso fica ainda mais claro quando estamos longe das rodas de conversa e das salas de aula. Estranho.

A real é que não tenho como agradecer aos meus professores. Tentei, tentei, reescrevi e nada sai. E isso me entristece, mas também conforta. Vai me tirar o encargo de converter as palavras bonitas que eu conheço em ideias lisonjeiras. Mas também deve mostrar que essa gratidão vai muito, muito além das palavras – e olha que elas são valiosas. Vocês me ensinaram isso o tempo todo. E nem precisavam de palcos e holofotes para tanto.

Valeu.

(Por uma campanha “Cláudia, odeie menos seus textos e volte a postar”. ‘Tamos nos esforçando.)

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