thelma+louisegottheblues

a fuga não acontece por causa de alguém, de algo específico, um objeto, uma coisa. é democrática, é universal, para todos e para ninguém. a fuga não pede explicações ou manuais de regras. faz-se assim: foge, a princípio.

(bonito mesmo seria fugir em câmera lenta, sob uma tempestade de pétalas vermelhas e dentro dum belo vestido. mas normalmente é mais simples: foge-se pelas ruas, imaginárias ou reais, com roupas normais mesmo. e suspeito que seria pouco produtivo fugir em câmera lenta)

não leva, necessariamente, a outros lugares. pode-se fugir parado, no mesmo lugar. não exige pernas ou motores específicos. olhos que fogem, já viu? aposto que sim.

às vezes, foge-se da vida enquanto ela caminha, modorrenta, lenta, espaçosa, ensolarada-domingueira. a vida prossegue sem conhecer o paradeiro do fugitivo.

a saber: são coisas distintas, ficar e viver. normalmente, fica-se.

mas há também aqueles que fogem por estradas terrenas, verdadeiras; movimentam-se. dessas fugas, pouco conheço e pouco digo. mas vendo-as de fora, creio que existe uma beleza indescritível nas estradas ensolaradas. aquela beleza conquistada às duras penas: a liberdade em suas cores mais vivas e emplumadas. o pavão das fugas.

a fuga, já me disseram uma vez, é necessária para pessoas como eu. o porquê disso, desconheço.

mas concordo.

(peixe grande é meu filme favorito.)

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