E pelos peixes também

Então, daí que eu estava num dia desses meio de bobeira, sem fazer nada, e decidi me formar. Pois é, pois é. Para todos os efeitos, agora sou uma jornaleira de primista ou qualquer coisa assim. Detalhes, detalhes. Vocês sabem o que eu quero dizer, né?

É. Eu também não, sinceramente falando. Sei o que significa em termos práticos: quando a gente se forma, é comum abraçar pessoas queridas, celebrar, chorar um bocadin, comer pizza com a galera e matar o tempo em cima de um palco lotado até chegar sua vez de receber um canudo de veludo (nessa hora, é recomendável que você não tropece nos próprios pés, mas essa escolha é, naturalmente, muito pessoal).  A cerimônia toda é  poética, simbólica, tá legal.  Mas não pode ser só isso.

Foram quatro anos de faculdade. Quatro anos. Quatro anos. Engraçado como soa importante, né? Como… como se fosse muito tempo. Quatro anos é uma coisinhazinha assim. Passam tão rápido, tão sorrateiros.

(Você nem tinha largado a papinha e o cobertorzinho aos quatro anos de idade. Vai. Admite. Eu fico aqui esperando. Temos toooodo o tempo. Fica à vontade.)

E o mais legal é que todos nós sabíamos disso desde o primeiro minuto em que nos metemos nessa aventura acadêmica, amiguinhos.

Depois de cada aula genial, a gente sabia que, um dia, infelizmente, por mais que a gente se esforçasse, uma hora ia acabar (ou não, caso a gente se esforçasse muito em não se esforçar nada, mas vocês sacaram a coisa). Em cada Pororoca, entre uma e outra fantasia esquisita de Teletubbie, a gente sabia que as luzes iam apagar e só iam restar mais de mil palhaços tristes figuras no salão. Até nos JUCAs imaginários a gente sabia (ou imaginava) que tudo tinha um fim – afinal, ok, só a gente sabe porque não fica em casa, mas uma hora tem que pegar o busão, guardar o abadá no fundo da mala (sim, nos meus JUCAs imaginários todo mundo usa abadá. Laranja-elétrico. Com bolinhas azuis) e voltar pra realidade não-etílica. Droga.

Acho que, no fundo, como todos nós sabíamos que ia durar pouco, nadinha, ficamos no pique de fazer dessa fase a melhor de todas. Assim, meio inconscientemente mesmo. Ficamos mais bacanas, menos umbiguistas. Mais dispostos a passar noites em claro para terminar TCCs – os Trabalhos do Carlos Costa, é claro. A gente teimou e teimou pra fazer desses *Quatro Anos* uma coisa muito lindinha, construída em conjunto, toda colaborativa, multimídia e open source.

E poxa vida. Somos danados. Conseguimos. Danados! Vai dizer que não. Conseguimos!🙂

Aí agora tem que deixar pra trás, é isso? É mesmo, senhor Locutor-de-Formatura? É isso mesmo? Mas assim, sem nenhum diálogo?

Bom. Eu gosto de pensar que não. Você deve gostar dum monte doutras coisas também, mas eu gosto disso. Eu gosto de pensar que esses *Quatro Anos* tão mencionados, tão contados nos dedos, tão rápidos, tão sorrateiros… valeram por uma vida inteira. Ou duas semi-vidas inteiras, se você for um isótopo instável.

A verdade, gente, é que foi muito mais que “quatro anos”. Às vezes pareceu mais que isso. Noutras, contudo, foi muito menos. Aí que tá a graça. Medir a importância dessa experiência pelo tempo de duração dela não faz sentido nenhum. Outros quatro anos virão, muito mais arrastados. E mais outros. E outros – alguns até serão anos bissextos, olha só que legal. Mas poucos serão tão incríveis quanto esses.

Muito obrigada. Por fazerem parte da minha vida, por me mudarem, blábláblá, por me ensinarem, bláblá, apoiarem, blá. Pelas piadas internas, pelos abraços, frases, telefonemas na madrugada, festas, discursos, sacudidas, bloguices, fofuras, apelidos idiotas, pelas conversas de corredor, por aquele dia lá no Laser Shots. Foi mó legal. A Marcha Imperial ainda tá na minha cabeça (e eu não tenho a menor esperança de que ela abandone esse posto algum dia).

Obrigada por mudarem a minha vida. É meio isso, na verdade.

E ok, eu até esperava esse monte de transformações em **quatro anos**, pra ser sincera. Só não esperava que fosse ficar tão satisfeita, tão animada com o que vai vir. Vocês elevaram os meus padrões, abriram perspectivas daquilo que é extraordinário.🙂 Só posso esperar pelo melhor. E é bem isso que eu vou buscar por aí.

Então… é isso aí.

Fiquem com nossos vídeos relacionados enquanto a blogueira que vos escreve vai lá no cantinho, ahm, tirar o cisco do olho.

So long, so long! And thanks for all the fish.
Douglas Adams sabe das coisas.

PS: Em tempo: em caso de Marcha Imperial na cabeça, assista a esse vídeo aí duas vezes. É tiro-e-queda.

9 thoughts on “E pelos peixes também

  1. Ok, pra mim só passaram 1 ano e meio, mas parece que passou rápido, rápido demais. Velho, parece que eu comecei a estudar ontem! =O
    E meu único medo é não aproveitar esses 4 anos (e meio no meu caso) como devia… Sabe, chegar ao final de tudo e dizer: “Putz, pq eu não aproveitei mais? Estudei mais? Me esforcei mais?” [risca]ter visto o sol se por…[/risca]

    Só espero chegar no final disso tudo satisfeita como você Cláu. (:

    =*

  2. Eu sei que esse era pra ser um post triste, mas eu ri muito lembrando dos golfinhos.

    Parabéns, Clau🙂 Sei que você vai ser um sucesso. Espero que minha faculdade seja um dedo mindinho do que foi a sua, embora no meu caso sejam *_Seis Anos_*.

    Beijos e boa sorte no Grande Mundo Lá Fora!

  3. Como já disse, meu bebê se formou e eu nem dei conta.
    Sabe, Cláu, eu faço uma faculdade de nerds exatoides onte 95% dos momentos felizes descritos acima não existem, mas você me deu uma forte esperança em tentar cria-los hora ou outra.

    Vai mostrar foto pra gente, né?
    E tinha um diploma dentro do canudo ?

    Beijo

  4. Eu sempre disse que vc devia ser a oradora da turma. E sabe? Assim como João Paulo II sempre será meu papa, assim como o FHC sempre será meu presidente e assim como David Cook sempre será o meu American Idol, vc sempre será a minha oradora, ainda que nunca tenha sido.

    Sim, pq já que imaginar é nossa especialidade, eu tô aqui, imaginando vc no palco, falando tudo isso aí, gaguejando um pouco, tendo um acesso de riso e até olhando pra mim qdo fala do Carlos Costa, nosso querido match-maker.

    Ok, esse comentário tá com cara de depoimento de orkut. Se quiser, eu colo ele lá pra vc e encerro de um jeito bonitão, quer?haha

    Te amo mto, minha colega–>parceira de trabalho do Cipriano –>companheira de bobagens na sala branca–>amiga–>grande amiga–> companheira de trabalho –>irmã!

  5. como eu disse no meu texto para uma redação do welingtonzinho: “Foram quatro anos. Trinta e cinco disciplinas mais um Trabalho de Conclusão de Curso. Duas eleições, uma Copa do Mundo, uma Olimpíada na China e Jogos Pan-americanos no Brasil. Vivemos o ataque no PCC. Vimos ser eleito o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Passamos por uma crise econômica mundial. Foi descoberto o pré-sal. Todos esses acontecimentos foram manchetes de jornal, capas de revistas, debates na TV, destaque nas home dos portais de internet. Acontecimentos. E nós, agora, seremos os porta-vozes deles. Jornalistas – diplomados, por favor.” E também agora temos mais amigos. E uma especial como vc!

  6. “Ou duas semi-vidas inteiras, se você for um isótopo instável.”

    É claro que, pra mim, essa é uma das partes mais fodas do texto, hahaha.

    É uma pena que eu não tenha tido uma visão de mudança tão grande quanto vc perante a faculdade – falo como se já tivesse formado, hahaah – mas quem sabe, né?

    beijos

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