We’re caught in a trap, Bino.

Foi ontem, pouco antes dos fogos, da gritaria e do futuro. Ah, e das rabanadas.

Estávamos eu e as duas irmãs, a Fusco e a Ferraz, largadas na frente da tevê, conversando e mudando freneticamente de canal, tentando evitar qualquer coisa que contivesse as palavras “Enchanté” e “Sangalo”. Entre um episódio de Simpson e uma maratona de videoclipes da Kylie Minogue em trajes ousados,  topamos com um filme/especial/documentário sobre o homem mais maravilhoso desse e de qualquer outro planeta Elvis. “Yeeeey!”, disseram as três irmãs em coro, os seis olhinhos brilhando.

Momento flashback: eu cresci ouvindo Elvis. Lembro claaaramente quando minha mãe ganhou um especial com oito CDs dele, super deluxe,  há uns dez, doze anos. Ela simplesmente chorou de emoção e pulou nos braços do meu pai enquanto abria a caixa, gente. Elvis era tipo uma entidade superior, um membro da família. Minha Barbie dançava ao som de Elvis. Enfim, vocês entenderam.

Acontece que eu nunca tinha visto o cara em ação. Claro, já tinha assistido a uns filmes dele e ouvido os oito-CDs-edição-deluxe até furar (mãe, mãe, larga a faca, eu tô brincando). Mas , mas, mas… eu nunca tinha visto um show dele. Foi por isso que o filme/especial/documentário de ontem caiu como uma luva. E as cenas que eu vi quase me causaram um colapso.

Elvis não era só lindão, talentoso e charmoso até a borda. Não era só um dos últimos ídolos mundiais que existiu, não foi apenas um dos inventores do rock. Era um cara que fazia piada com as backing vocals, que desafinava e cansava no meio do show, era… putz. Era um gênio à sua própria maneira. E enquanto eu via o cara dançar freneticamente ao mesmo tempo que cantava Suspicious Minds – e fazia tudo isso pra uma plateia um tanto quanto blasé  (ou pelo menos não tão barulhenta) -, me caiu a ficha dum troço.

Os grandes ídolos mundiais ‘tão em falta. Os caras que mudaram os caminhos do rock, do pop, do cinema… tão indo embora. O que a gente tem, daqui pra frente, são vários ídolos segmentados, espalhadinhos pelo planeta, que não se preocupam em agradar multidões. Ficam felizes que algumas pessoas em alguns países gostem deles e tudo mais. Isso é até legal, mas alguma coisa meique se perdeu no caminho. Alguma inspiração genuína, um quê de verdade, sei lá. Pode ser impressão minha, mas…

Temos tanta banda que canta a mesma coisa. Tanta gente que se “inspira” em tantas outras. Tanta coisa igual, igual, iguaaaaaaaaaaargh. Prateleiras cansativas e enjoadas. Isso faz de nós pessoas mais cansativas e enjoadas. Blé. Sei lá.

Acho que é mais ou menos essa a ideia geral que ronda minha constatação/promessa/meta pra 2010. Vamos nos inspirar, galera. Vamos sair, viver, ouvir boa música, dar umas risadas, ler uns livros que explodam a cabeça. E depois vamos nos enfiar em casa e produzir, trabalhar, escrever até os dedos caírem. Vamos dormir um pouco, comer um tanto, vestir umas roupas bacanas e saltitar quando necessário for. Vamos fazer da vida algo mais inteligente, mais vivido, mais espontâneo. Vamos viver menos no automático, apostando naquilo que é fácil, certo… seguro.

Quer dizer, é só uma sugestão. É um desafio e tanto, esse, eu sei. Aliás, eu mesma tô aqui, falando, falando, sem saber exatamente por onde começar. Mas se teve alguma coisa que 2009 – e algumas pessoas em especial – me ensinou, foi isso: a vida tem seus grandes momentos e a gente não-pode-não-deve-não-por-favor perdê-los de vista. Nós temos grandes momentos, nós podemos ser nobres, interessantes, maduros. E a gente pode mudar alguma coisa.

Sei lá eu pra onde vou com tudo isso. Êta post mais maluco.

Mas é isso.

E ah! O Elvis:

Esse documentário chama “Elvis é assim” e é basicamente uma gravação dum show do Elvis de 1970. No vídeo, uma das minhas músicas favoritas, que eu tive a sorte de ouvir logo na estreia de 2010: “Suspicious Minds”, numa versão eu-sou-Elvis-pura-simpatia-e-rebolado. Reparem como ele abaixa (com sua jaqueta novíssima) e continua cantando. Mesmo com esse cabelo Alex DeLarge meets Wolverine, o cara é o máximo. E é só.

Anúncios

1 comentário a “We’re caught in a trap, Bino.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s