putz, entendi.

aprendizado súbito, cortante e definitivo numa noite de natal menos **mágica** do que o habitual:

de repente, todas as paixonites atuais e instantâneas param de fazer sentido, num acordo silencioso, mas certeiro. basta um mínimo movimento de rabo de olho e todas silenciam, como se jamais tivessem existido.

todas as visões antigas de um mundo encantado e encantador caem por terra como numa espécie de dança da corte inglesa em que todos param exatamente ao mesmo tempo, com movimentos leves e graciosos, mas firmes. e não se mexem mais desde então. nunca mais.

os conceitos já desfiados de beleza e otimismo não passam de baratas com gesso na barriga, espalhadas pela cozinha, que se aventuraram numa noite de orgias gastronômicas na casa alheia e, bom, morreram pelas mãos enfarinhadas e vingativas da Lady Macbeth Clarice Lispector.

é quase como se alguém tivesse apertado o botão de desligar de todo o encanto antigo que eu via no mundo.

mas o contrário.

mas ao contrário!

eu, que me preocupei tanto em ver cada pedacinho da minha vida com toques de Faber-Castell. eu, que tanto procurei a magia em certas coisas nunca tiveram sequer um rastro dela. eu, que criei tantas situações levianas na minha cabeça, eu, que me enchi de esperança e expectativa, ambas  vazias e caolhas, mas faladeiras. eu, que montei meu castelo de cartas por anos a fio sem me preocupar com suportes e bases.

eu agora vejo tudo caindo. caindo sem cerimônia, ih, caindo em câmera lenta e sem medo algum. pedaços e pedaços de castelos se espatifando no chão.

e o pior: sem fazer barulho.

mas é que de repente, tudo o que importa cabe mesmo num par de músicas, numa conversa em roda com seus amigos do teatro, numa foto, no eco das risadas, nas conversas muito sérias sobre os rumos da humanidade via MSN. nos tsurus deixados em cima de uma mesa toda bagunçada. num fone de ouvido compartilhado. nas lembranças.

(nas lembranças de verdade, nas memórias que eu carrego.

aquele dia em que eu fui embora e, sabe?, tinha alguém lá. e eu tinha motivos para aquele riso nervoso, aquela sensação de irrealidade, para os pés nas nuvens que eu fiz questão de arrastar, sem contexto, pelo resto da minha vida. eu tinha motivo…)

e nas saudades sem tamanho, que me provam que estou viva. viva, ainda.

e só começando.

One thought on “putz, entendi.

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