ilha desconhecida

– Eles já foram?

– Já.

– Achei que não iam nunca, meu Deus.

– Não se preocupe. Aqui é bem tranquilo.

– As pessoas sempre me disseram pra ter cuidado com o que eu faço. Mas nunca liguei muito pra detalhes. Cuidavam de tudo por mim. Vou sentir falta…

– Deu um susto em todo mundo. Agora tem que ficar se escondendo, como a gente.

– Pois é. Mas não dá pra reclamar… tratamento de primeira…

– É, eu gosto daqui. É melhor que… bem, você sabe.

– Tem mais gente aqui?

– Os de sempre. Tem uns que vem e voltam.

– Voltam?? Ih! Será que, então…

– Você fez a sua escolha. O seu caso é diferente. Não dá pra voltar. Muito arriscado.

– Eu sei, mas…

– Os primeiros meses são sempre difíceis, mesmo.

– Mas… ele…?

– Sim, tem ele, sempre ele… As pessoas tomam este rapaz como exemplo, mas sabe, não deviam. Ele é um mestre no que faz. E o caso dele…

– Você nunca voltou?

– Uma vez. Uns fãs me confundiram com um sósia, não foi grande coisa. Foi bem triste, na realidade.

– Eu poderia fazer isso. Eu poderia ser um sósia!

– Mais tarde, talvez. Agora não. Você mesmo disse que não podia reclamar de como estamos tratando você.

– …

– Tome uma água de coco, um solzinho. Vai fazer bem.

– Não quero tomar sol.

– …

– Eu tenho tanto pra contar, pra explicar… eu… era cedo.

– Sempre é cedo.

– Eu poderia voltar disfarçado.

– E fazer o que com isso?

– Ouvir… ler o que estão dizendo. Dar um depoimento como se eu fosse da família. Sei lá.

– Acredite, daqui uns anos vão esquecer tudo. Eu era exatamente seu oposto quando vim pra cá. E fui perdoado. A memória das pessoas está cada vez mais curta. Já fizeram pesquisas sobre isso, é verdade.

– Mas…

– Olha, não se aborreça. De verdade. Encare como um recomeço.

– Você é praticamente um guru. Parece simples quando você fala desse jeito.

– É simples. Não há outra opção, na verdade. Eu fiz o mesmo caminho. Não foi fácil. Abri mão de boa parte do meu ego. Mas…pense, pelo menos você não estava na sua fase mais produtiva.

– Eu ia voltar… eu estava voltando à forma.

– Pff, tanto quanto eu. Olhe, tem alguém chegando!

– Cadê? Ah meu Deus, é ele! Eu sempre quis acertar as coisas com ele… Devo ir até lá?

– Vai, vai logo!

– Pa…! Ei!… Ele foi embora!

– Ele sempre faz isso. Se não é ele, é o sósia. Reparou nos pés descalços? Era ele mesmo, dessa vez… não perde essa mania.

– Então por que você não me avisou?

– Queria que você tentasse, pelo menos.

– Sabe, o Triângulo das Bermudas não é tão divertido quanto eu imaginava.

– Espere o pessoal do Lost chegar. As coisas sempre ficam animadas quando eles aparecem por aqui. Você vai gostar do Sawyer.

– Vai te catar, Rei do Rock.

– Depois de você, Rei do Pop.

(Uma homenagem herege, ruim e sem timing. É que, no momento, eu tô super sem tempo pra timing. Mas amava o #MJ.)

8 thoughts on “ilha desconhecida

  1. quem não o amava? quem não o amava?

    – Espere o pessoal do Lost chegar. As coisas sempre ficam animadas quando eles aparecem por aqui. Você vai gostar do Sawyer.

    Hahaha

  2. Pingback: Rei que é rei, nunca morre. « O basculante

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