Sim, sobre o amor

Eu sempre fiz desse assunto um dogma no Desiluminância. Se eu tenho razões pra isso? Tenho, tenho um monte. Primeiro porque eu já dancei bonito quando disse certas coisas aqui  – e eu não queria ter dançado, nem mesmo trocado alguns passinhos. Segundo, porque ninguém merece uma Cláu sentimental (= um verdadeiro banho de sangue que causaria revertérios até no Leônidas).

Amor é fog… AAAARGH, MEUS OLHOS

Terceiro motivo? Tem sim. Já fizeram tantos poemas bonitos, tantos filmes, tanta música: paquê eu tenho que falar também? Eu, com tão pouco conhecimento de causa? É só colocar uma citação de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e todo mundo entende, todo mundo vê. Todo-mundo-participa.

E a quarta razão – que engloba todas essas e as outras setencentas e oitenta e seis – é que falar de amor é foda e eu sou uma covardona nesse âmbito. Simples assim. Uma passional fake, uma ascendente em Peixes barrada pela Geminiana. Pois é.

Mas hoje eu me toquei duma cousa, uma cousa grave: o amor está no ar. Está sim. Pode ter crise, miséria, fome, desespero em toda parte do mundo: a gente acaba falando do amor. Esse negócio universal aí. Quando achava que só eu estava precisando de uma dose de Yann Tiersen com gelo e limão, vem outra pessoa e aceita um gole. Outra senta junto e começa a falar Dele, Aquele Lá, Sabe?. Outra arrasta a cadeira pra mais perto e só fica ouvindo. O do canto? Pff, já foi – se perdeu nos próprios pensamentos. Melosos, por sinal.

Eu adoro histórias de amor. Não só as do cinema, maravilhosas e semi-impossíveis, mas também as reais (ia escrever “principalmente”, mas me veio Peixe Grande à cabeça e eu mudei de idéia). Aquelas injustificáveis, terríveis , cheias de vilões, orgânicas… e igualmente maravilhosas. Eu gosto dessas breguices. Como diz meu professor de teatro, “gente sensível é um problema”. A sala inteira riu (somos um bando de sensíveis incríveis).

E talvez por gostar tanto de histórias, casos e paixões – e fazer deste dogma desiluminântico o tema do meu TCC da faculdade -, me tornei, com o tempo (ou meu otimismo esquizofrênico), uma terrível conselheira. Daquelas que não sabe o que falar, quando e em que trecho da conversa. “Se ele disser ‘sinto saudades dela’ , eu dou essa dica, cito essa frase e mando uma piscadinha amiga com o olho esquerdo”. Funciona? Geralmente não. Acho que não sei piscar só com o olho esquerdo, afinal.

(Por conta disso, já tou pedindo desculpas, antecipada ou… ehr… nahoramente. Eu quero ajudar, mas não sei como. Aliás, nem sei se você quer minha ajuda. Então eu ouço. Ouço mesmo. Manda brasa que eu ouço.)

Mas hoje foi o ápice desse momento “love is in the air” do mundo. Todas as pessoas que passaram algum tempo comigo falaram desse assunto. Entende? Todas. Tá, talvez eu tenha interpretado mal o tique no olho do cobrador do ônibus, mas vocês entendem o que eu quero dizer.

E eu acho isso genial! É como se houvesse todo um mundo fora daquela mesquinharia cotidiana: uma luz bacana acesa no túnel paralelo. Tudo o que a gente precisa é mudar de faixa pra chegar até ela.

Bora largar mão de ser dogmático e neurótico. Bora viver com o foco naquilo que a gente merece viver. Bora admitir que é , putz, importante ter aquela pessoa do seu lado – ai, que saco que é ser piegas e sincero consigo mesmo. Bora tratar uns aos outros com respeito – acho que isso não é amor, soa mais como, sei lá, uma meta pessoal e natural, mas tá valendo.

“É como se houvesse uma bomba-relógio dentro da gente, cujo tique-taque nos obrigasse a caminhar em direção à felicidade. Não temos escolha: ou lutamos pelo que queremos, ou definhamos”. Coisas do Antonio Prata. Outra pessoa,  (muito) amiga (muito) querida, definiu diferente: “quem não amou teve uma vida vazia”. É, rola toda uma pressão psicológica aí, mas é a verdade. A gente, pff, ama, gente! Demais, de menos, sem mais nem menos!  Fazer o quê? Tá na merda, abraça o Cupido. Eu, sinceramente, resolvi abraçá-lo há pouco mais de um dia, então não te culpo.

Vamos nos jogar, então? Vamos, todos nós, arriscar fazer coisas feias, humilhantes e arrependíveis? Vamos tentar, pelo menos? Daqui uns cinquenta anos ninguém mais vai tocar nesse assunto, eu prometo. Vamos nutrir amores impossíveis e gritar, arrebentar os miolos quando houver uma pontinha de esperança? Vamos, gente? Vamos! Vai ser muito legal.  Nem precisam ser atos muito intensos e desesperados, se essa não for a sua praia: uma palavrinha resolve uma porção de problemas. Assumir que você quer uma coisa é o primeiro passo pra tentar-ver-se-quem-sabe-vai-rolar , então mexe esse traseiro gordo daê e bota a auto-sinceridade pra funcionar! [/quemmexeunomeuqueijo]

Todos nós vamos morrer por dentro, nos afogar em lágrimas, ficar despedaçados se tudo der errado. Mas vamos poder nos orgulhar de ter “curtido” a segunda pior coisa no amor – e sobrevivido.

“[…] A única tragédia afetiva é não amar. O resto, a gente resolve”. Coisas do Antonio Prata. Minhas, suas, nossas. Muito simples e complicadas, muito estranhas, pouco práticas. Zero de realismo. Mas só sabendo que dá pra existir bons momentos incríveis, mesmo que minúsculos, e que tudo compensa mesmo quando a gente já tá pouco se lixando pro que vem em troca, well… só assim a gente suporta esse mundão feio, a crise e esse calor indecente de 44ºC. Na sombra.

*Não, esse post não está de acordo com a língua do P nova gramática. Falar de amor e ainda por cima escrever certinho ia ser demais.

PS: Se eu escrever no post seguinte que eu estou arrependida deste, podem me bater. Eu não estou.

PPS: Se bem que eu mudo de idéia com alguma frequencia. Então não me batam se eu arranjar argumentos convincentes.

PPPS: Covardona de meia-tigela e meia furada.

PPPPS: Entenderam o porquê do dogma, né? Preciso de quatro post scriptums pra me justificar. Argh.

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7 comentários a “Sim, sobre o amor

  1. Ai que lindo, AMEEEEEEEEEEEEEEEEI o texto! O amor tá mesmo no ar, uma amiga minha veio falar que foi brokenhearted. E eu tive uma ideia louca de fazer uma locuura de amor hj – acabei não executando por cansaço. E olha só, eute encontrei hj e não falei de amor! RÁ! Mas aguarde que amanhã te conto hohohohoh

    Bjssssssssssss

  2. Pingback: l o v e m a l t i n e » Blog Archive » Café com leite

  3. Coisa linda de Deus, Cláu. Posts preferidos de uma canceriana, hehe, que desde pequenininha se anima com historinhas de amor e tudo que envolva o tal sentimento. Sou até defensora de causa – mesmo triste e arrasada, tudo que eu sei é acompanhar a Maria Rita: “Pular de precipício em precipício, ossos do ofício!”
    Sempre fui uma piegas irrecuperável, você bem sabe. Bom passeio com o cupido!
    E estou com saudades, mulher!

  4. Ai, ai. Tava com saudades desses seus textos inspirados e ainda por cima sentimentais e engraçados ao mesmo tempo – o tique no olho do cobrador!

    Não adianta, quem não amou (uma vez, duas, trocentas) não aproveitou a vida. Tem que se jogá, cumádi.

  5. “Daqui uns cinquenta anos ninguém mais vai tocar nesse assunto, eu prometo.”

    Vai sim! o mais legal é tocar nesses assuntos – de amores e desamores – sempre =]

    Adoreeei o post e tava com saudade de te ler, garota 😀
    Como vai a vida por ae? hehehe

    :*

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