Fantasmas, pianos, CDs e um tio Patinhas que não tem nada a ver com a história

Há tempos eu devo um post sobre o meu pai aqui. Não só pelo fato de eu ter feito um pra minha mãe (que aliás saiu no tudeblog), mas porque o cara é uma figura. Uma cabeça impressionante, uma história de vida de dar orgulho e pá. Enfim, meu papai. =)

Ele é daquelas pessoas que usam terno (e gravata) com meia do Tio Patinhas, mudam de opinião da noite pro dia (e depois de novo) e cita Nostradamus e Guimarães Rosa com a mesma facilidade. Ele ouvia Edith Piaf com as filhas pequenas no Monza prateado – e todo mundo curtia, mesmo que ninguém entendesse pinhonhas (foi decepção geral quando ele resolveu doar o bendito cd praquele zelador palerma do prédio).

Pour la viiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiieeeeeeeeeeeeeeeeeeee

Pras viagens da praia, preferia um Beethoven, que ficava particularmente emocionante nas curvas da estrada. E pra gente dormir, inventava um bilhão de casos sobre criaturinhas mágicas e supimpas – à exceção do famigerado Bacurau, que até hoje a gente não sabe que é, mas tinha certeza que era vilão. Lógico que ninguém dormia com as histórias, mas fingia que sim, pra não deixar ele chateado. Em casos extremos, ele cantava Caetano (e aí todo mundo roncava e babava como se não houvesse amanhã ;D).

Meu pai, uma figura, pra resumir.

Daí que esses dias ele tá com uma mania nova: ele montou um piano. É, ele meio que acumulou todos os dotes artísticos da família e sai pintando, costurando os próprios ternos (melhor que os dele, só os do Sílvio Santos, ele diz) e fazendo pianos por aí. Só que não é um piano normal, porque dentro dele tem um teclado e um toca CDs (sim, isso ainda existe) com entrada USB. Só que o teclado, ehr, não funciona, então é basicamente um rádio com jeitão fierce de piano.

Mipergunta quantos benditos CDs de pianistas ele não comprou. Um monte. Gente, um monte mesmo. E agora sempre que a gente vai almoçar ou ficar enrolando na sala, o pai bota o CD pra tocar e o piano fica lá, arrepiando partituras sem ninguém nele. Meio assustador. Minha tia, obviamente, fez piada com a coisa e disse que a gente tinha um fantasma muito talentoso em casa.

(Tá, tudo isso aí em cima só pra começar a contar o causa do post)

Só que acho que essa história de fantasma ficou na cabeça do inconsciente coletivo, porque da última vez que meu pai comprou um bendito CD pro piano e colocou pra tocar, as músicas eram totalmente diferentes das que constavam na caixinha, até  então, lacrada. Meu pai tirou o CD do piano e já ‘tava prestes a voltar pra loja, xingando, quando resolveu dar uma olhada direito na caixa do disquinho e… well, o original estava lá, certinho. Agora a melhor parte: ondiéquitá o outro CD misterioso? No piano é que não. E nem na caixinha, na qual ele jurou portudoqueémaissagrado ter guardado o bendito. E como o original foi parar lá se antes, bom, não estava? Hein? HEIN?

Meus últimos três domingos – além dos almoços de Natal e Ano Novo – foram regados pela misteriosa História do CD Que Não Era O Que Ele Tinha Comprado. E ele sempre conta com os mesmos detalhes, mesma empolgação e mesmo brilho nos olhos no momento em que ele percebeu o engano dos discos.

(Sim, essa história é tão enrolada quando um bom Reveillon em família)

8 thoughts on “Fantasmas, pianos, CDs e um tio Patinhas que não tem nada a ver com a história

  1. Ah, eu iamgino essa sua cara sapeca fingindo que tava dormindo!

    Seu pai é O cara, Cláu!

    Essa história ainda vai ser lembrada todas vez que alguém perder alguma coisa. #podecrer!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s