Sobre aeroportos e mosquitos

Ai, as pessoas insistem em quebrar a magia!

Seguinte: eu amo aeroportos. Sempre amei aeroportos. Depois de castelos medievais, casarões abandonados e pradarias, são os melhores lugares para fazer um filme. É, fazer um filme, saca? Filmar cenas… e tal. Veja só O Terminal e Prenda-me Se For Capaz, com o pequeno obsessivo Tom Hanks: ele também adora aeroportos, tá sempre lá! As cenas mais tilindastchuquinhas de Simplesmente Amor acontecem e/ou envolvem aeroportos na jogada e, well, pelo menos eu amo os três filmes citados. Além disso, tenho mega lembranças felizes de infância, que envolvem aeroportos (claro), gelecas fedidas e pássaros de olhos puxados, mas vocês não têm nada a ver com isso, né. Vamos aos fatos: eu amo aeroportos. Ficou claro, acho, né? Amo.

Hoje eu fui a um aeroporto. Não, não a UM aeroporto, fui no mais fantástico, lindo, grandalhão e abarrotado de nadadores olímpicos do mundo: o de Guarulhos. Não, não importa que a asa A parece uma garagem velha de trens abandonados (aliás, mais um bom lugar para fazer filme), nem que a Pizza Hut cobre vinte-e-absurdos-cinco reais por um mísero pedaço de pizza – batatas smile acompanham, sim senhora!, quero a promoção sim. Enfim, xô voltar ao tema: tava lá em Guarulhos, feliz, contente e fascinada com qualquer coisinha, esperando minha doce irmã do meio pegar seu British Airways rumo a Madames Tussauds, rainhas e tudo mais.

[momento smile sorridente e chorante, vulgo :’)]

[fim do momento :’)]

E nisso, depois de despedidas, lágrimas e mande-notícias-do-lado-de-lás traga Judes Laws agradecida desde já, eiiis que resolvemos ver o avião partindo, porque minha família é tudo loco loco loco sofredô emotivo, néam? Até demais. Prosseguindo!, fomos até o janelão assistir à partida (hahá, e não é de vôlei!) e tchanam, eis que um casalzinho muito simpático e fofolino pára ao nosso lado e começa a comentar sobre o vôo no qual, por sinal, minha little sis se encontra. O netinho deles acabara de embarcar de volta à terra da tia Beth e eles achavam que em questão de dias o garotinho esqueceria das férias que passou no Brasil (sim, eu presto atenção na conversa alheia. Mesmo).

E falam do vôo. Do outro avião na pista. Do carrinho levando as bagagens. Do homenzinho fazendo sinal pro carrinho das bagagens. Sobre o tamanho do avião da Gol. Sobre o tamanho do avião da Tam. Sobre como o avião da Tam é maior que o da Gol. Sobre como aquele avião da Tam deve ir pra Portugal, por causa das cores. Tudo precisa ser comentado, analisado, discutido com os demais presentes, e olha só, o avião manobrando de novo.

E volta a falar do vôo. E do cara na pista. E das malas. ARGH, DEUS! QUE-IRRITANTE! Imaginem esse casal em qualquer outra situação, comentando o óbvio ululante que acontece à sua frente. Por exemplo:

“Ah, mas olha só, ele está destacando um pedaço do pão em sua mão. Olha, olha!, ele jogou o pequeno pedaço destacado de pão para a doce pomba cinzenta. Ei, ei, olha a pomba cinzenta indo comer o pão. Ah, que coisa linda, minha gente, esse milagre da natureza, a pomba comendo pão. Olha só que bico afiado o dela! Mas será… mas será que a pomba é maior ou menor que o gavião que de longe avisto? Aah, esse gavião é português, olha só as costas dele, tem as cores da bandeira e…”

ou quem sabe:

“Mas esse moço, o Jack – chama Jack, né? -, ele tá morrendo? Oh, sim, parece estar morrendo, olha só como ele gradualmente fica mais azul, pendurado que está nesse toco de madeira. Ai, será que a Rose vai deixá-lo ir? Eu acho que sim, hein, eu acho que sim! Oh! Oh! Olhem só, a Rose está largando ele! Como ela sofre, coitada, acredito que em pouco tempo lágrimas escaparão de seus olhos! Ah, DiCaprio está decolando afundando. Mais e mais! Será que ele não vai manobrar quando chegar no final da pista do mar?”

E se o avião quiser fazer umas piruetas psicodélicas? E se o carrinho de bagagens explodir em mil pedaços superbacanas supercaetanos? E se o DiCaprio volta em “Titanic II” com um sorriso, um jornal debaixo de braço, gritando “querida, chegueeei!”? Você vai precisar dizer “MEU DEUS, QUE INESPERADO, O CARRINHO EXPLODIU E O DICAPRIO VOLTOU, CORRAM PARA AS MONTANHAS”? Argh. Além do óbvio, amigo, é isso aí.

E contar spoiler até em aeroporto? Eu não quero saber ainda se o avião vai ou não vai. Deixa ele se decidir.

Tsc. Quebram a magia.

15 thoughts on “Sobre aeroportos e mosquitos

  1. poxa é legal fazer isso no cinema, quando vc está assistindo Batman pela segunda vez….

    mentirinha….

    era só pra descontrair

  2. Ahhh aeroporto!!! eu amo ir no hagar onde ficam os avioes do papai ver eles por dentro *-* o maquinario!!!! é tudo tão magico… mas papai não me deixa ficar la mais… porque só tem homem trabalhando e eu sou uma distração pra eles u.u bando de tarados… acaba com a magica… mas usar aqueles fones de ouvido anti ruido é sempre tão emocionante que vou pra lá sempre que possivel =D

  3. Também amo aeroportos *-*

    E de qualquer jeito, o óbvio ululante é legal. Legalzinho. Tá, não super cool que nem os velhinhos achavam e… ah, eles são velhinhos curtindo as coisas simples da vida.

    Deixa eles.
    😉

  4. tenho uma certa raiva de aeroporto… eu não sou uma das pessoas que mais gosta de viajar de avião e talz (tipo.. já usei os saquinhos de vômito) … mas é bonito… (o aeroporto, não o saquinho de vômito)…

  5. pombas não são doces e fofas.

    pombas são sujas e nojentas.

    só pra ter certeza de que você sabe e não foi contagiada por “apreciação a tudo que não é óbvio ululante”

  6. Tá bom, eles são velhinhos mas ahhhhhhh… Dá uma raiva desgraçada.

    Outro dia tava vendo um filme e tinha duas senhorinhas atrás de mim. Aí mostrava a menina pegando o cara e elas: “Nossa, mas ela tá beijando o cara… Que feio, não pode beijar assim” e por aí vai…

    Ah, faça-me o favor né??

    Beijooo

  7. É, aeroporto é sempre complicado. Pra mim, extremamente. A verdade é que nunca tem muita coisa de mágico pra mim. Só de choro e de lágrimas.
    Eu juro que a minha vida não é novela mexicana, mãe!

  8. Hmmm…talvez se você tivesse ido lá e apertado o umbigo deles, eles interrompessem a narração em closed caption. Ou não, talvez eles só continuassem =\ ( “Oh, veja, a moça apertou minha barriga! O que será que ela quis dizer com isso? E agora ela fez cara de frustrada e…veja! Está se afastando de nós e gritando!”). Guarulhos também é meu zaeroporto preferido, apesar de eu nem conhecer tantos aeroportos assim…mas ele é grandão, espaçoso, cheio de estilo. Nota dez e um dedão pra cim pra Guarulhos!

  9. Bom ter essa perspectiva de quem tava do outro lado haha
    Porque você não disse: “Olha, quer narrar o que acontece enquanto eu dirijo minha mão à sua cara?”
    PS; Não vou ao Madame Tussaud, custa muito caro
    PS2: Tá difícil achar um Jude Law por aqui, mas work in progress…já conheci um principe William, serve?
    PS3: Acho que não é mais spoiler, mas o avião declou sim, viu

  10. Pingback: O vestido mágico « Desiluminância!

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