ãh, ãh, uh!

Começa no ombro. Direito, geralmente.

Ele levanta. Desce. Levanta de novo. Estranho, involuntário. Tudo muito discreto. As pessoas ao redor nem percebem. Coisa simples de esconder, um casaco mais pesado dá conta do recado.

Mas aí pega o outro ombro, e a coisa começa a ficar mais complicada.

Às vezes sincronizado – um ombro levanta, o outro abaixa. Em casos mais complexos, os dois levantam e caem juntos. Mas ainda é um movimento suave, apesar de estranho: uma colega do escritório explica que o “tal do ortomolecular” causa reações engraçadas mesmo. Nesse momento, é necessário frisar que ainda há cura. É sério, precisa de cuidados, mas com o tratamento certo, você fica novinho em folha.

Até que as costas começam a reagir. Esquisito. Seus ombros vão pra trás e para os lados sem controle ou esforço. Sabe a “saboneteira” pacífica que você tem, seu tão digno colo? Não se comportam mais. Os primeiros sinais de perigo em relação a pescoço e braços costumam aparecer nessa fase.

Você sabe que seu pescoço foi contaminado quando ele simplesmente começa a “seguir” sua saboneteira. Faz movimentos estranhos, desloca-se para o lado com o mesmo ritmo dos ombros. Pra cabeça começar a se comportar de modo estranho, é questão de minutos. Ela vai virar para os lados sem a menor necessidade; vai se jogar pra cima, mostrar queixos e narizes sob ângulos jamais imaginados pelo homem. Se você tem papo, o cuidado deve ser redobrado.

Mas os piores casos – aqueles que não têm cura,  – são facilmente identificáveis, pois já atingiram, a essa altura, os braços, que se movimentam de todas as maneiras. Podem esticar-se para cima e para os lados, ou dobrarem-se na altura do cotovelo, possibilitando movimentos de variedade infinita. Por vezes erguem-se até se encontrarem no alto da cabeça – as mãos já não funcionam como deveriam – e giram, sentido horário ou anti-horário, os punhos fechados. Já foram detectados casos em que o paciente, ainda de punhos cerrados e unidos lado a lado , desce os braços até a altura dos pulmões e desenha, no ar, um círculo imaginário à sua frente, como se cozinhasse em um caldeirão. Uma vez contaminados os braços e mãos, os movimentos do paciente se tornam ilimitados.

 

Pacientes lidam com sua enfermidade ao sol

Existem alguns sintomas mais: batida ritmada com as duas mãos, ao que chamamos de “palmas”; estalidos produzidos com as pontas dos dedos unidas, assobios, maleabilidade excessiva na área da cintura, entre outros.

Nessa conjuntura, a cura dificilmente é cogitada. O paciente costuma dar preferência a reconhecer-se como doente e aprende, de certa forma, a conviver com sua enfermidade. Os contaminados podem viver em comunidades e, nesse caso, reconhecem como líder aquele que possuir maior maleabilidade, geralmente o mais antigo do grupo.

 

– Gritem comigo: somos saudáveis, só muito maleáveis!

Cuidado. O germe Discotecus horribilis está sempre à solta e pode contaminá-lo quando você menos esperar. Aquela festinha inocente é um antro de reprodução do germe. Mas talvez valha a pena sentir os sintomas, vez em quando, ocasionados ou não por auxiliar alcóolico.

Atenção: em caso de perda parcial ou total de melanina, suspenda os medicamentos e  procure seu orgulho médico.

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11 comentários a “ãh, ãh, uh!

  1. Siiiiiiis!!! Manja aquele distúrbio “braço direito pra frente, braço esquerdo pra frente, palma direita pra cima, palma esquerda pra cima, palma direita na dobra interna do cotovelo esquerdo, palma esquerda na dobra interna do cotovelo direito, mão direita na têmpora direita, mão esquerda na têmpora esquerda, mão direita no lado esquerdo do quadril, mão esquerda no lado direito do quadril, mão direita no lado direito do quadril, mão esquerda no lado esquerdo do quadril, reboladinha, abaixadinha, rotação corporal a 90º para a direita, grito “ê Macarena aaaaai!” ? Pois é. Eu sei que vc tb conhece.

  2. Ohhh todas as cubiculantes por aqui.

    Eu não sei dançar, eu odeio dançar, eu não sirvo pra isso. E juro que quando eu li as primeiras frases, eu achei que o post ia falar sobre… soluços!!!! hahahahaha

    :*

  3. eu acho que desenvolvi imunidade, graças. =p

    e eu ainda preciso falar contigo decentemente, nem que seja para a gente falar besteiras e coisas nada a ver.

    =* créu

  4. Eu estou em tratamento. Por favor, nao me exponha a esses textos subversivos de novo. Isso faz mal à minha saúde já debilitada. Já perdi amigos por causa desse vício, meus colegas de faculdade não me olham mais nos olhos – e quando o fazem, surge aquele terrível ar de “coitadinha”.
    É difícil, mas é superável. Eu sou a prova disso.

  5. XD Esse distúrbio é algo sério, complexo, e irremediável ao contrário do que alguém ai em cima falou. Você se livra momentaneamente, mas basta o causador entrar em ação, seja em uma festa, ou mesmo num ônibus, ele volta a Ativa, isso é fato, mas não o vejo como algo tão grave.
    Amei o post de aniversário xD
    Deve ser triste fazer aniversário perto do dia dos namorados, ainda mais quando não se está namorando.
    Cara, amei isso aqui!
    Bitoka!

  6. Hoje em dia tem cada gosto maluco que eu não duvido que alguém tenha alguma tara por disfunções ortodônticas mesmo.

    Enfim, não é disso que eu vim falar. Estamos montando um portal de blogs e a Lia do Just Lia nos indicou você. Você teria como entrar em contato comigo através desse email que está no comentário para que eu pudesse explicar melhor a proposta?

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