A hora

Hoje, o pessoal da Educafro tá lá na faculdade da minha irmã, fazendo protesto por cotas na universidade. No site do movimento, achei isso aqui, ó:

“Chegou a hora de pretos e pobres decolarem, com inclusão e educação! Chegou a hora de pretos e pobres decolarem, com inclusão e educação!”

Pófalá? Preconceito é, de fato, a coisa que mais me deixa puta em todo o universo. Putíssima, porque não há sinal maior de ignorância, infantilidade e intolerância do que discriminação. Somos todos um bando de idiotas cuja beleza está em sermos diferentes uns dos outros, mas quando não existe consciência disso, erros gravíssimos podem acontecer. A escravidão, por exemplo, foi um erro gravíssimo, de proporções asquerosas.

Se os negros brasileiros se sentem prejudicados pelo passado, têm razão. Foram, de fato, extremamente acuados durante séculos, e isso se reflete até hoje, em forma de preconceito camuflado ou pobreza explícita, em alguns casos. Os ativistas a favor das cotas acreditam que deve haver um tipo de compensação em relação às atrocidades do passado: daí, uma chance maior para os jovens nas universidades, cujo vestibular traria uma correção mais “indulgente” dos professores da banca. Isso – esse gesto de supostamente “dar mais chances” aos estudantes negros e índios – seria a compensação equivalente a tantos anos de escravatura e opressão do branco.

Besteira da grossa.

Desculpem, mas é! É besteira achar que abrir cota vai abrir novos horizontes, mudar preconceitos idiotas, transformar, mesmo que lentamente, o país, compensando assim um erro inculcado na história do Brasil há tantos anos! Preconceitos sempre existirão, erros sempre acontecerão (não em proporções tão absurdas, assim esperamos todos), e horizontes podem ser limitados. O que consegue transformar um país é educação – é isso que falta aos pobres, índios, ricos, negros, brancos, amarelos, azuis.

A “hora dos pretos e pobres decolarem”, a hora do país decolar só vai chegar quando o ponteiro do relógio encostar no ensino de qualidade para todos, sem exceção. Essa hora há de chegar, muito mais lentamente do que deveria, mas vai. Vai chegar com novas medidas, com cada batalha ganha, com o próprio tempo. Ninguém disse que apagar cicatriz é coisa fácil, mas há muita gente disposta. Não às cotas, sim à educação sem remendos e muletas.

4 thoughts on “A hora

  1. eu acho importante a discussão, okeis.

    Mas eu já tô de saco cheíssimo dela. Não parecem cansar de discutir isso perto de mim…

    e ainda estou de mal!

  2. Meniune, que revoltam!

    Seguinte, escrevi na redação do Wel hj: educação é u-to-pi-a (bem a la Petta). Cada um que tem que ir atrás da sua própria educação, e tenho dito!

  3. Claú, faço minhas as tuas palavras!!

    Cota não resolve nada. E não é nada contra os negros. É simplesmente porque não acredito em cotas.

    Eu não pratico o preconceito, nem você. Mas muito dificilmente nos veremos livres dele, não é?

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