Amor é filme

Aprendeu a amar em Hollywood.

As comédias românticas ensinavam tudo o que ela precisava saber. A troca de olhares, o sorriso tímido, a princípio. Situações absurdas, conversas sem sentido, as risadas sinceras – tudo prontinho, esperando um receptor. Treinava suas sobrancelhas na frente do espelho, tentando manter aquela expressão da Julia Roberts – “serena e misteriosa” – em Um Lugar Chamado Notting Hill.

Ensaiava diálogos imaginários, enquanto andava em círculos pela casa.  Ouvia música de olhos fechados, imaginando cenas e cenários. A briga. A separação. A fossa, o telefonema arrependido, cidade cinzenta ao fundo e Why Does My Heart Feels so Bad? . Encontros de reconciliação embaixo da chuva torrencial, os cabelos voando em todas as direções. Ela sabia como ia ser seu casamento. A noite perto da lareira. O céu estrelado e as redes. Aquelas férias em Acapulco no Havaí.

Um dia, então, casou-se. Ele não parecia o Jude Law, mas era bom moço. Casaram-se em uma cerimônia pequena, sem grandes flashes ou perseguições no aeroporto. Quase não brigam, aliás; ele a respeita demais para isso. Moram em um apartamento simpático, onde vivem com os cachorros e o gato voluntarioso.

Ela busca um vilão que a tire do tédio que o happy ending lhe causou.

5 thoughts on “Amor é filme

  1. HUahuahuauh a reconciliação embaixo da chuva torrencial é classica!!!
    E pois é… quem pensa que final feliz é feliz mesmo… doce ilusão…

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