Um estudo (ou não) em vermelho

Esses dias fui ver “A Culpa é do Fidel!” com uma amiga da faculdade. Cara, qualquer filme que retrata os fatos sob uma perspectiva infantil me anima muito, eu surto, acho lindo antes de entrar no cinema. Ou não, pelo contrário, fico o mais chato dos seres, falando que uma criança não pensaria daquele jeito. Sim, eu tenho conhecimento de causa e guardo minhas Barbies embaixo da cama, beijos.

Quando eu era menor, pensava tão absurdamente igual à menininha do filme que tenho até medo. Ok, legal que todo mundo vai ter casa se a moda do comunismo pegar, mas não quero doar minhas bonecas nem comer coisas estranhas. Tudo bem fazer caridade, se no caminho de volta a gente puder parar no McDonald’s, vem um bichinho lindo no McLanche Feliz que eu preciiiiso ter.

Aí aos poucos a gente vai mudando. Aparecem uns livros bons, uns professores de história, até mesmo umas frustrações. E começa a olhar pros lados, putz, e não é que há mais do que o meu umbigo? Pois é. É sempre um choque, diga-se de passagem. No próprio filme, nem demorou muito pra acontecer; questão de meses até que a garotinha entendesse que os “barbudos” não eram de todo maus.

Palma palma palma, não priemos cânico! Não tô querendo dizer que todo mundo que cresce vira comunista (embora eu acredite que Gael García Bernal tenha influenciado uma meia dúzia de hormônios, digo, adolescentes que eu conheço). Quero dizer que a noção de dimensão do mundo vai se alterando, não importa para que (ideologia? partido? utopia??) lado a gente vá bandear. E isso é bom. É saudável. Ajuda a entender por que a saída daquele “barbudo” cubano causou uma señora revolución. Esses dias mesmo estava discutindo com a Carol (irmã do meio, prazer): “já acho que vivi muito; vi o Fidel saindo do poder e o Brasil podendo liqüidar a dívida externa”.

O comunismo em Cuba tá tão enraízado na gente que parecia impossível de acabar, mesmo que o Fidel já tivesse uns duzentos anos (e ele tá chegando lá). Ainda assim, não significa que o “sonho comunista” acabou, só porque o Castro retirou-se do tabuleiro: já tinha acabado há bastante tempo, infelizmente. Por mais linda e fantástica que a idéia do comunismo seja – e é -, não é tão viável quanto pensavam os “barbudos” do filme. É preciso quebrar um monte de noções e vontades que os homens-porcos capitalistas levaram um tempão construindo. O comunismo só pode começar a ter corpo quando a gente não só achar que existe mais do que o próprio umbigo, mas se preocupar com o umbigo dos outros e até que ponto o meu umbigo não atrapalha o cresciemento do seu.

Mas essa revolución, nem Gael conseguiu fazer. Ainda.

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6 comentários a “Um estudo (ou não) em vermelho

  1. acho a idéia do comunismo fantástica, mas utópica x) e confesso que sempre que penso no ‘e se…’, me bate aquele medo da era do grande irmão. e, ah, é uma honra ter você linkada, ainda mais agora que está descobrindo seu amor pelos killers

  2. E por falar em Gael, ele nunca é tão melhor quando não é de mulher, não é? (La Mala Educacíon)
    Formação de caráter e o sonho do abrir mãos para dar as mãos. Não deixa de ser bonito falar sobre comunismo, mas acho que ninguém que viva no mundo de hoje está apto a entrar num regime comunista pra valer. Até mesmo os mais comunistas de hoje em dia levariam bastante suor para se acostumar com a individualidade inexistente. O grande truque do capitalismo é que ele se encaixa no que as pessoas querem. Eu olho fotologs e páginas de internet por aí, vejo as pessoas na rua e por várias vezes eu cheguei ao seguinte comentário “Império do Ego”. Todo mundo está girando em torno de si, mas ao mesmo tempo vão dar uma rodopiadinha em torno de alguém mais mais para poder fazer média, não deixa de ser em prol do próprio umbigo. Eu já sonhei tanto, nas aulas de história, que os governantes resolvessem implantar um comunismo no mundo, que todos entrassem em comum acordo, que os presidentes de todas as nações simplesmente perdoassem as dívidas de todo mundo para verem aonde o mundo chegaria se começássemos tudo do zero. Mas foi tudo em vão, porque esses sonhos não ajudariam nada. Se todo mundo fosse posto no mundo com 100 dólares e sem dívida nem emprego nenhum, o mundo acabaria voltando ao que é hoje.
    Nem a máquina do tempo do Gael pode ajudar a gente (The Science of Sleep). Mas nem por isso estamos perdidos. Ainda podemos continuar com nossos sonhos de baixo consumismo moderado eticamente corretos, como sempre fizemos e até podemos tentar ajudar os menos afortunados, mas a minha esperança de uma mudança significativa em âmbito internacional é nula. http://www.fotolog.com/mafalda_tiras/

    O negócio é passar a mão no Diego Luna e cair na estrada (Y Tu Mama También). Quem sabe arresorve?

  3. Esqueci de falar que existe bastante cotonete por ai para limpar o umbigo. Mentira, queria indicar um mangá para você ler.
    Na verdade, não é um mangá propriamente dito. É uma graphic novel de um francês chamado Fréderic Boilet. Chama-se O Espinafre de Yukiko, lançado pela Conrad. Eu tenho, se eu me lembrar eu entrego para a Lilian ler e te entregar quando te encontrar, ai você devolve quando puder ou correio.
    É um charme.

  4. Acho que é meio complicado tudo isso,né?! O capitalismo está tão presente na nossa vida que, à primeira vista, parece impossível viver de uma maneira que não essa que nós conhecemos. A gente se habituou a ser estúpido e ver as coisas como os outros querem que a gente veja. Por isso a influência capitalista é tão forte e (quase) impossível de ser removida ou modificada… =/

    ;***

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