Love Business

Algumas empresas gostam de acreditar que o melhor método para selecionar novos empregados é o sistema de entrevistas-dinâmicas de grupo-redações-provas-tira bom, tira mau. Mandam e-mails quando o currículo interessa minimamente, solicitam entrevistas e, depois de algum tempo, o candidato recebe uma resposta positiva, convocando-o para a próxima fase do processo, ou negativa, que é um simples “obrigado por estar aqui hoje pela participação, valeu, foi bom, adeus”.

Fico pensando (eu sempre fico pensando demais nas coisas, esse é o problema. Vai lá, faz a coisa e volta pra casa feliz, bota a cabeça na cama sem maiores dores. Mas não, nããão. Tem que ficar inventando história em cima da coisa que tá tão arranjadinha sem que eu me metesse) se fizessem esse tipo de seleção pra tudo na vida.

Mas a seleção que mais renderia pano pra manga é a de escolher namorado. Não, não seria pensar no seu futuro com aquele bonitinho da outra faculdade que sentou ao seu lado pra fazer a prova de Inglês; é, de fato, fazer uma bateria de testes à lá processo seletivo com seu “candidato a amado”.

Porque, pensem comigo, não é tão diferente assim, uma coisa da outra. Os primeiros contatos com seu futuro rolo/ficante/amorzinho-de-todas-as-noites/chuchu/gatinho (entre outros adjetivos impróprios pro horário pra sempre) são sempre muito superficiais pra você saber se realmente quer algo com ele: conversas furadas, alguns pontos em comum entre vocês, mas nada que nenhum outro candidato não tenha demonstrado antes. É necessário que ele tenha um diferencial, algo que o destaque dos demais candidatos (que, teoricamente, também estão doidinhos pela vaga).

Então começa a bateria de testes, normalmente feita em grupo (aquela rodinha de amigos que se forma entre você e o pretê nunca deve omitir o que a coisa realmente é: uma entrevista). Você vai querer saber todo o histórico do rapaz. “Tem experiências anteriores? Quanto tempo durou seu último relacionamento? Por que você está se desligando de sua antiga empresa namorada? Ah, sim, compreendo. Qual é a sua pretensão salarial sentimental? Por que você se candidatou à essa vaga? Você está disposto a mudar seus horários em prol da empresa namorada? Tem experiência na área? Em quais áreas, precisamente?” Lembre-se que seus amigos a ajudarão nesta temível etapa da seleção.

Se o cara mandar bem nas respostas, merece ir pra próxima fase, que costuma ser mais íntima, só você (RH, gestor, o que quiser) e seu candidato. Naturalmente, ele aparecerá mais arrumado do que de costume (só não exija calças sociais do pobre rapaz, isso é muito, muito cruel). Quer causar uma ótima impressão, a melhor que puder. Nessa fase de entrevistas mais tête-à-tête, o número de candidatos diminui bastante: alguns foram mal nos testes escritos, outros não sabiam se expressar, enfim, um horror. Se você engatar dois ou três encontros interessantes, considere-se uma empresa moça de sorte.

Aliás, são nesses encontros, digo, entrevistas, que o candidato tem que mostrar a que veio. Ele não deve apenas enumerar seus atributos, mas colocá-los de modo que se tornem bastante claros. Ele é eficiente? Ágil? Interessado, esforçado, sociável? Faça-o provar seus adjetivos, então! Encare o candidato sempre nos olhos e pergunte com toda a franqueza (mas apenas com o olhar, peloamordeDeus, não vá me queimar o filme): “por que você merece essa vaga?”

Ele foi bem? Foi convincente? Melhor ainda, foi os dois? Então agora é correr pro abraço, digo, pro contrato. Estabeleçam regras de conduta, prazos (aniversários são sempre esquecíveis, meu bem) e essas coisas todas. Aos poucos, tudo se ajeita! Você se acostuma com o jeito que o seu novo estagiário trabalha, e ele começa a entender que corre o risco de ser demitido se passar o domingo inteiro vendo jogo de futebol.

Dependendo da eficiência do bofe contratado, capaz até dele receber uma efetivação, ser promovido. Virar sócio, até que as empresas façam alianças entre si.

O conglomerado ia ser só lágrimas na cerimônia.

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3 comentários a “Love Business

  1. Miniiiiiinan. Teias de aranha devidamente retiradas. E vc TEM que vir aqui jogar Guitar Hero, pq o do videogame é MUITO melhor.

    E se vc não for no meu aniversário vc morre; e pobres dos candidatos a namorados… pensa, Cláu. Se do jeito que tá já tá difícil de encontrar, imagina se a gente fizesse tooooodos esses testes? haahha

    Beijo hâni :*

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