Poesia barata na Paulista

(Como estou de férias e os acontecimentos emocionantes da minha vida, também,  resolvi contar uma historinha que aconteceu comigo há um tempim atrás que todo mundo já ninguém conhece. Pelo menos, não em caracteres. =) Aproveitem. Ou riam da minha cara, é a função principal)

E lá estava eu, o meu eu de uns meses atrás, em uma esquina qualquer da Avenida Paulista. A tarde cor-de-rosa, os pássaros cantando, as árvores balançando suavemente com o vento… e eu, com aquele ânimo típico dos zumbis em sábados ensolarados. Geralmente acho bacana ver as pessoas passando, falando consigo mesmas ou comprando pamonha e pipoca na esquina, mas naquele dia, liguei o modo autista extreme. Achei um livro dentro da bolsa e comecei a ler, esperando sei lá o quê. E sei lá o quê veio. Ah, sempre vem.

Sei Lá O Quê era um homem, na verdade. Já beirando os quarenta anos, boina na cabeça, andar meio curvo. Olhou pra mim e se aproximou sem demora, me abordando do jeito que considerou mais prudente:

– GATA.

Olhei por cima do ombro. Atrás de mim, só o vendedor de pamonha. Vai saber.

– Não, é com você mesma mesmo, amorrrrr. Você é linda, absoluta, estonteante, uma diva. Você-é-uma-lioa. – E então ele, oh meu Deus, ele fez aquele gesto, aquele terrível, imitando garras. Socorro, socorro. Não sei como cheguei viva até aqui, pois tinha a certeza de que o meu estômago não ia sair impune de um ataque de risos que até a escala Richter reconheceria como ameaça à segurança pública.

Sei Lá O Quê – também conhecido como Olívio Basievisctus – não se abalou; continuou falando como se nada tivesse acontecido, gesticulando loucamente e contando causos que tinham acontecido com ele e “seus amigos do Maksoud Plaza”. Agora eu não era mais “lioa”, e sim uma “loba”, e havia um poema pra mim bem ali, na página 32. Sim, Basievisctus é poeta, lança “sempre que dá” uma edição nova da sua coletânea de poemas, que ele estava vendendo por “R$10, R$12 se você quiser, pra me ajudar a pegar o busão, hihi”.

– E todas as edições vêm com uma cantada diferente?

– Ah, sim, todas. – Contou, em tom casual, limpando o suor da boina branca.

Aceitei o livro e o preço, por razões que ainda não foram descobertas pelo Homem e muito menos pela Mulher aqui. Dez reais mais rico, o poeta se animou: “Menina, EU faço QUESTÃO de escrever uma dedicatória pra você AGORA”, ele me informou, apanhando a caneta azul e rabiscando logo na primeira folha.

– Qual é o seu nome?

– Cláudia.

– Ai, te odeio. Te odeio. Poderosa. Ok, vamos lá. “Cláudia”… – levantou os olhos e me encarou. Por um segundo, semicerrou as pálpebras, dando a noção do perigo – “Serpente”. Cláudia Serpente. – Hum, acho que ele não percebeu que estava me transformando num zoológico, legal. Floreou a letra e o gesto da escrita, e lia enquanto escrevia, me deixando ciente de cada palavra que escorria das mãos.

“Deste teu ardor envolvente,” (?!) “se tens por beleza perene a ser…” – olhou meu rosto perplexo mais uma vez e deu o golpe de misericórdia – “… fatal mulher“.

Assinou, com mais um floreio, e devolveu o livro.

“Pronto. Menina, isso vai ser um sucesso. Ele vai ler isso aqui e dizer: ‘mas quem foi o cara que te escreveu isso?!’ e você vai contar que foi um alemãozão alto, lindo, de olhos claros”. Concordei, sorrindo, mesmo preferindo os britânicos morenos ou ruivos. “E não deixa rapaz nenhum te chatear jamais, você é linda e, se precisar, ‘tamos lá no MASP, eu e os garotos do Maksoud Plaza ‘tamos lá pra te alegrar e te ajudar no que quiser”.

[Um parêntese (ou colchete, porque é mais simpático): Quando essa história aconteceu, aliás, o MASP estava inteirinho (ou quase), bonitinho (ou próximo disso), com todos os seus quadrinhos. Pena.]*

Faz uns dias que achei o livreto, perdido no universo paralelo que é a minha gaveta. E sabe, realmente me alegrou. Não é todo dia que você pertence a três famílias diferentes no reino Animal, ganha um monte de elogios e um autógrafo.

E seu estômago sobrevive ao maior ataque de risos já registrado pra contar a história.

*editado em 9/01: GENTE, como assim encontraram os quadros?! Que medo do meu post! =D

18 thoughts on “Poesia barata na Paulista

  1. Ah, fatal mulher, você passou por diversas famílais dor einoa nimal mesmo, qauqluer biólogo daria a vida pra te estudar! Acho que já passei por esse cara lá na paulista, mas não recebi o sinal das garras…
    nem me abalo, viu? u.u

    Beijo, leoa.
    [ou loba, ou serpente…]

  2. Olá Lioa,

    Encontrei com essa pessoa maravilhosa hoje também, ele veio aqui, no meu intediado escritório e jogou meu animo lá em cima também!!! Sem contar que ele quase me fez morrer de rir e também falou “ai, te odeio, te odeio…” rsrsrsrrs.

    Acho que só quem passou por uma conversa com ele pode descrever essa figura maravilhosa!!! Ah, ainda também não sei o motivo, mas também comprei o livro!!!!!!!!!!

    Beijos,

    Henrique Favero.

  3. Esse tal de Olívio é um cara inteligente viu, e muuuuito sensitivo. Encontrei-o na liberdade esses dias…o que ele te fala..juro que me deixou arrepiada! Falou de umas coisas, que só eu (BEM NO FUNDO) sabia..Juro, me tocou fundo!!

    Recomendo a todos um encontro com esse encatados poeta!!

    Beijos e prazer

  4. Hoje, tive a oportunidade de encotrá-lo.
    Engraçado, é tudo inesperado! E ao mesmo tempo programado, pois aquele instante foi o preciso! (ele falou alguma coisa sobre isso)

    Com certeza, aprendi muito hoje! e estou buscando viver a minha Humanidade.

    e como ele disse (não com essas “palavras” pois não lembro como foi ao certo) Não temos que SER humano.

    Também comprei o livro dele, Trinemio! Com direito a dedicatória também!

    rsrsr ele me recomendou algumas páginas, muito interesante! rsrsrs

    a primeira coisa que fiz quando cheguei em casa foi pesquisar no Google Olivio Basievisctus e cheguei até aqui!

    Abraços a todos!

  5. eu e meu namorado encontramos com ele hj na liberdade meu namorado era o vento e eu era a brisa hauahua meu de mais ele..nos recomendou ir para paranapiacaba indicou um lugar para nos hospedar e para comer…de mais ele

    ps:compramos o livro (forma de eternizar esse momento)

  6. Talvez… tenha sido eu na minha antiga Gráfica Terra que tenha confeccionado o livro que ele te vendeu…
    Imprimí vários “milhares” pra ele…
    Por onde anda esse Olívio? Cara engraçado! Mas tenho que falar que ele realmente “vê” coisas nas pessoas… um sensitivo, talvez.

  7. Haha, conheci a figura hj rsrsrs bem assim mesmo, cheio de elogios (vc é uma diva, linda, maravilhosa kkkkkk)…
    Tô esperando um tempinho pra ler o livro…. espero q eu goste das poesias mas aqueles minutos já valeram pelas risadas rsrs

  8. Gente, ele veio até a minha loja hoje…Disse que me odiava, me chamou de sereia, trocou energias, me fez uma dedicatória e massageou o meu ego…No mínimo curioso, se não fosse cômico.

  9. Rs parece que é assim então: a gente encontra com ele na rua, compra o livro e não sabe porque e quando chega em casa joga o nome no Google e vem para aqui rs! Me ocorreu hoje!!! Falou dos meus cabelos, das minhas ancas – !, na minha dedicatória disse que sou vestida de amor!

  10. Tive hoje, em Campo Limpo Paulista, interior de SP, uma experiência também com o Olívio. Ele me interceptou no meio da calçada, na volta do meu almoço. Me ofereceu um livrinho de poesias (adoro poesia), folheei e consegui ler um poema pequenino que achei maravilhoso. Comprei o livro, claro, e foi bem caro – 20 pilas. Mas valeu a pena, não por todos os elogios à minha pessoa (corte de cabelo lindo, aura maravilhosa, etc.) e sim pelo conteúdo de muito bom gosto, e ah! com direito à dedicatória, claro; até já comprei outro livro dele no Sebo do Messias, aliás, por 3 reais! Adorei esse poeta.

  11. Nooosssssssssa! Encontrei essa figura ontem! Me fez sentir a pessoa mais importante do mundo, fiquei impressionada om ele, claro que comprei o livro
    E o resto do meu dia foi maravilhoso.

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