Quando eu vivia menos, eu escrevia mais ou Um extenso post sobre nada

Não é a primeira vez que eu ajeito a almofadinha, sento na cadeira, me logo no WordPress e começo a digitar coisas aleatórias nesta caixinha. Já pensei em um post para 2008 – sim, tecnicamente eu daria o braço a torcer e acrescentaria mais algumas observações ao post calvinista aí embaixo, mas me contive e não farei isso não não não mesmo não vou não insistam e se vocês têm juízo não insistiriam mesmo, antes que eu pedisse. (:

Já pensei num texto dedicado apenas às crenças populares que rondam a passagem do ano-novo e a íntima relação que estas têm com as temíveis filas de lojas de roupas. Ok, meu post não vai ser sobre isso também, mas pelamordeDeus, eu tenho que desabafar: COMO as pessoas podem pregar o recomeço, o vou-parar-de-fumar-beber-e-chutar-pombas-na-rua se são essas mesmas pessoas que brotam do piso, completamente ensandecidas, agarrando peças de roupa como se fossem granadas em uma guerra civil? Iemanjá mal suspeita quantas cabeças rolaram até que aquela moça, tão pacífica ao entrar no mar, pulasse sete ondinhas vestindo um modelito altamente fashion, todo branco e dourado. Aliás, a sigla TPM poderia facilmente adquirir mais de um sentido novo nessa época do ano: Tenho Pantalonas Melhores; Tira a Pata, é Minha; Tô- Podendo-com-o-meu-cartão-de-crédito-novinho-em-folha-então-vou-comprar-essa-canga Mesmo… são inúmeras possibilidades.

Mas, como eu disse, o post não é sobre esse assunto.

Também não é sobre a minha cândida visita à Suuuuper Casas Bahia, que é um ambiente de estudo antropológico riquíssimo, esbanjador até. Não é sobre a peculiar diversão de fingir ser gringa e discutir em inglês (e altos brados) com sua irmã, no meio da Suuuper Casas Bahia, nem sobre encarnar o papel durante uns bons quinze minutos, para que as menininhas na fila para o Simulador de Vôo (uhum, sei) não desconfiassem. Não é sobre presentes de Natal, nem sobre o delicioso livro do Anônimo que eu ganhei da minha irmã do meio e devorei em menos de vinte e quatro horas, nem do pôster absoluto dO Estranho Mundo de Jack plãs O Guia Do Mochileiro das Galáxias, o filme, dados pela irmã mais velha. Também não é um post sobre os benefícios que irmãs mais velhas podem oferecer

Não é sobre processos de estágio nem sobre as centenas de DVDs que agora se encontram em meu poder; não é sobre casar na Disney nem sobre ausência de sonhos infantis normais. Não é sobre o meu livro – desgraçado – nem sobre, blé, a Bússola de Ouro. Não é um post sobre Londres.

Mas na verdade, é também sobre tudo isso.

É que.. ahn, sacumé, é difícil explicar. O fato é que… *trovões*… quando eu vivia menos, eu escrevia mais.

Uhum. Isso aí que você acabou de ler, mesmo.

Não pensem que eu vou dar uma justificativa plausível pra isso, eu não tenho uma. O fato é que… quanto menos coisas eu fazia na minha vida – menos vida social, menos baladjeenhas (o_O) e tardes cor-de-laranja, por exemplo -, mais eu pensava sobre as poucas que eu fazia, e essa pensação toda me motivava a escrever. Cada evento era mágico, cada filme, uma reflexão, mesmo que das mais babacas… cada fogo de artifício representava um momento que não volta mais, a ponto de escrever sobre ele. Juro, não ter o que fazer em Reveillons passados me inspirou pra caramba. o_O

Mas isso mudou! Se eu perdi ou se transformou em algo maior, não sei, mas minha glândula fádica visão de mundo não é mais tão a mesma. Agora é chato ir nas Suuuper Casas Bahia, se lá não houver uma grande diversão ou boas irmãs “gringas”; andar de ônibus não é mais tão fenomenal assim (embora ainda seja super, super pra caramba).

O meu medo, de verdade, é deixar de ver as coisas como elas são: pequenas e extraordinárias maravilhas cotidianas. Risadas, bons livros e músicas, amigos… eu não posso encarar como se tudo fosse natural. Não é. É mágico, é único, e cedo ou tarde, assim como os fogos de artifício, explode e acaba. Espero que tarde, por sinal. E olha que eu nunca fui fã de fogos.

Um 2008 ridiculamente cheio de pequenos prazeres e alegrias pra vocês. Com ou sem sete ondinhas e banhos de sangue por causa de roupas; com ou sem milhões de histórias pra contar.

E vamos parar com essa meiguice toda de final-de-post. Humpf.

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2 comentários a “Quando eu vivia menos, eu escrevia mais ou Um extenso post sobre nada

  1. Quase chorei. De verdade.

    E não é à toa que o post tá classificado em “Autismos”, antes de mais nada. hahaha

    E meu, perder as coisas pequeninas deve ser… horrível 😦
    Anyway, um dois mil e oito cheio de coisinhas pequetitas e lindas pra vc, Cláu!

    Um beijão!

  2. Huahuahua…

    Putz, excelente reflexão, é exatamente assim que acontece. Promessas, somente promessas, e no ano seguinte, tudo igual…

    Quanto a essas pessoas que quase se matam por roupas fashion pro ano novo pra pular as sete ondinhas, se sentindo, só posso deixar um recado: volta pro mar, oferenda! kkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Um 2008 cheio de pequenas coisas boas pra todos nós… Sejamos minimalistas, hehehe…

    Beijos Mil, Cláu!

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