A teoria dos olhinhos brilhantes

Já sabia a sábia Poulain quando começou a formular possibilidades que explicassem a demora de Nino Quincampoix em chegar no encontro marcado: criar teorias é preciso viver não é preciso.

Teorias pra tudo. Por que o céu azul?, por que ele não me ligou?, por que sapos não têm penas? Por que os romanos usavam togas, mas o Pato Donald não usa calças? Por que um pote de ouro no fim do arco-íris, por que eu chorei vendo Across the Universe, por que a Xuxa ainda tenta? Garanto que há mais de uma resposta para todas essas perguntas e para quantas mais houver. Há resposta pra tudo porque há pergunta pra tudo, e a curiosidade é o prato da casa.

Há tempos que eu quero fazer um post sobre curiosidade, mas nunca consigo um gancho pra falar da bendita. Como vocês podem observar, eu ainda não achei um gancho, daí esse começo de post furreco, totalmente made in meu cérebro à uma da manhã. Mas a gente supera. Ok, eu garanto a vocês meu sono no travesseiro nas próximas noites. Não em todas, porque eu tenho insônia às vezes, mas… ahn, xá pra lá.

A curiosidade não matou o gato. O que matou o gato foi o fio elétrico, a vassourada, a máquina de lavar (alguém já ouviu essa piada medonha?), o cachorro com raiva, o Jerry, o burro do Shrek (aposto que ele aprovaria a idéia), a ratoeira e quem mais você quiser. Uffs! Com sete vidas dá pra morrer de tudo quanto é jeito, mas jamais por curiosidade. Curiosidade é justamente o oposto… é vida. É a Justificativa Maior. É praticamente o 42.

É a curiosidade que conduz a mão pra assinalar o X em cima da opção pro vestibular (eca, essa frase rima). É a curiosidade que ensina o homem grande (e também o pequeno) a ler. É a curiosidade que, a princípio, une duas pessoas: vontade de saber de cor, de pâncreas e de pulmão cada minúcia do outro, os trejeitos engraçadinhos, as manias. Ser curioso faz um bom jornalista, um bom ator, um bom músico, um bom médico. Claro que existem técnicas antecessoras que ajudam e qualificam cada profissional, só que é preciso querer conhecê-las.

Antes de você se tornar um obsessivo ou um workaholic (que são nada diferentes, mas vá lá), relaxe. Não é toda coisa que faz jus à sede incessante de saber. Você pode escarafunchar, esmiuçar o terreno até descobrir!… um cano d’água, em vez do tesouro enterrado que seu mapa previa. Isso é frustrante.

Muito frustrante.

Dá vontade de bater a cabeça na parede até descobrir outro cano d’água, falando assim, de coração.

Mas passa. A cada nova descoberta, os olhos – que se agigantam, assim como os ouvidos, buscando novidades – brilham novamente com a mesma intensidade antiga, com aquele ânimo infantil que é saudável manter.

E o mundo é de novo um imenso Lego, esperando ser construído e desvendado diante dos seus olhos (brilhantes!).

Anúncios

3 comentários a “A teoria dos olhinhos brilhantes

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s