Here comes the year (tchurururu)

Acaba o ano, recomeça a ladainha. Retrospectivas 2007 espoucarão por todos os lados, assim como comunidades do gênero “2007 foi O Ano!”, posts em blogs e fotologs. Gente reclamando dos bilhetes dourados que não vieram, dos namorados que não apareceram, da vida que aconteceu pra todo mundo, menos pra ela mesma. Longos resumos, às vezes divididos mês a mês, que dão detalhes de cada passo dado pela criatura-autora nesses 365 dias. São coisas que, verdadeiramente, só stalkers bem sórdidos querem saber, ou nem mesmo esses: se forem stalkers de fato, todos os fatos vão ser novidade antiga, mas deixa isso pra lá.

Pois o ano está acabando. Nada podemos fazer a respeito, né? Os fogos vão explodir em Copacabana com ou sem o nosso consentimento. Não dá mais tempo de planejar uma festa junina, mas ainda tem jeito de entrar no navio do Roberto Carlos, corre que você consegue.

Dizem que os últimos vinte dias do ano são os mais bacanas. Oook, eu inventei isso, mas bem que podem ser, se você quiser. E não tem um pingo dO Segredo (ou Xuxa) nessa última frase; tudo depende do referencial, já dizia o sábio professor de ciências, na oitava série.

E é por essas e outras que eu ainda não descobri, de modo definitivo e certeiro, o que diferencia um ano bom de um ruim. Analisemos, então, um espécime factual isolado dos demais, devidamente colocado em uma placa de Petri metafórica.

– Começar um namoro é bom?
– Ah, é bom, legal. Ponto pra 2007.
– Mas terminou o namoro, de um jeito… chato.
– Ah, terminar assim é ruim. Bad, bad year. No donut for you.
– Mas eu aprendi tanta, tanta coisa.
– Poxa, então foi ótimo. Score!
– Só que, na época, foi horrível, xinguei horrores. Tenho seqüelas até hoje, aprendi a não confiar em seres humanos e meus agudos nunca mais foram os mesmos.
– Ehr, ok. Não.

Ter ficado até mais tarde na biblioteca da Cásper e na hora do aperto evocar Peixe Grande, naquele dia cinzento e indeciso, foi uma das coisas mais espertas que eu já fiz na vida. Conheci o mais galante poeta da Paulista (e virei serpente) no mesmo dia que aconteceu a pior briga familiar já documentada por olhos humanos. Meu tio partiu logo depois de uma vitória fantástica do Palmeiras e descansou feliz. Cada aula de História da Arte compensou as noites sem dormir fazendo o trabalho dessa mesma matéria. Coincidências tristes renderam amizades fantásticas, discussões chatas antecederam passeios memoráveis. Harry Potter acabou!, mas os amigos fanáticos continuaram. E em cada processo seletivo de estágio… não, isso não têm lado bom não, aí é Pollyanna demais pra mim.

É, acho que vou sair de 2007 sem saber se foi um bom ou um mau ano. E assim, ouvindo Here Comes The Sun, com a vida inteira pela frente, dure ela mais um dia ou uma pá de outros novos anos, não consigo nem pensar em me importar.

Tchurururu.

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5 comentários a “Here comes the year (tchurururu)

  1. Pôxa.. etsou me sentindo um idiota… toda santa semana estou lá no outro desilu esperando q vc atualizasse e de repente qd clico no link lá no anonimo olha o q eu vejo.. a nova versõa do blog.. e sem mim!! 😦
    vc n sentiu a minha falta??? Buááááá´!!
    dramas à parte .. vou atualizar as minhas leituras por aki,.. bjos!!!

  2. Ah, meu. Apesar de toooooodos os pesares, eu gostei de 2007… na real, acho que não tem nenhum ano de que eu saia achando que foi ruim u.u

    E só pra constar: “Tenho seqüelas até hoje, aprendi a não confiar em seres humanos e meus agudos nunca mais foram os mesmos”. Concordo em gênero, número e grau. hahaha

    Beijo, Cláu!

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