bum.
Outubro 5, 2009
“It means that we’re just dolls. We don’t have a clue what’s really going down, we just kid ourselves that we’re in control of our lives while a paper’s thickness away things that would drive us mad if we thought about them for too long play with us, and move us around from room to room, and put us away at night when they’re tired, or bored.”
Quando eu era pequena, sabe do que eu tinha medo? Do céu. É a pura verdade. Eu morria de medo de olhar pras estrelas, medo mesmo, medo-pavor. Não sei o que me dava. Quando eu descobri que aquilo que eu via não era mais que o passado do céu, encarar o brilho eterno de Vênus e Marte se tornou ainda mais insuportável. Medo de fantasma. Ainda hoje não tenho uma relação muito simples com as estrelas. Vocês não tem ideia de como isso empobrece minhas referências. Tsc.
Acho que essa história de passado sempre mexeu comigo. As lembranças, sabe? Sempre fui uma jóia rara pra perder memórias. Esqueço de tudo, ou melhor, “esqueço”. É um jeito de facilitar as coisas, deixá-las assim, na superficialidade. A gente não tem como remexer no pasto sem sentir aquele leve cheirinho de merda. Eis uma proud procrastinadora falando.
Mas agora tô aqui, incapaz de esquecer. Incapaz de deixar qualquer coisa na superficialidade. Chorando com Up!, pensando em perda de memória de verdade (culpem o meu curso de teatro) e com uma cabeça verborrágica. que não cala a boca. Ando topando qualquer parada, qualquer drama.
No fundo, a vida é isso, não é? Topar ou não topar. Descer do salto e dos muros e assumir, ou não descer e não assumir. Aproveitar. Ou não. Eu já neguei tudo que tinha pra negar, essa coisa louca de arrastar as frustrações pra um baú. Tchanã! O baú explodiu e não foi de felicidade. O baú foi pelos ares. Mas isso já é demais. Topar tudo? Nem por dinheiro.
Eu, que tenho tanto bloqueio com o passado, tento apostar no futuro. Como uma mãe da minha eu-futura, quero o melhor pra ela. Quero que ela não sinta faltas, dores nem medos inadequados. Quero que ela tenha passado por todas as crises imbecis e momentos inadequados de interação social. Quero que ela, sim, olhe pra trás e veja que errou pouco. Ou errou muito. Fez qualquer coisa! E teve ao lado os melhores amigos.
Mas isso tudo é besteira, vocês sabem. Planejar é fácil. Esquecer do passado é simplesmente uma fuga burra. Vocês sabem disso, eu também sei. Engraçado.
Agora, meu foco é perder o medo de olhar pro céu. Quero poder apontar as estrelas, Vênus, Marte e Mercúrio, e sentir que fiz a minha pequena parte . Quero significado que não tenha significado além do próprio momento. Não quero explicar com palavras. Não quero imaginar. Quero só, inacreditavelmente, viver.
E ter alguém do meu lado nessa hora.
É só. É muito, mas é só.
Outubro 5, 2009 at 10:32 pm
Ô coisa bonita! Nunca escreve, mas quando vem, NOSSA! Lindo!
Outubro 5, 2009 at 10:42 pm
É muito, mas é só, é profundo e mexe com a gente. Cutucou alguma coisa lá no fundinho =~
Outubro 13, 2009 at 9:31 am
Já disse que você é foda? Você é foda.
Ó, mas mando a conta do analista depois.
Outubro 18, 2009 at 10:27 pm
Adorei o blog.
Beijos
Novembro 6, 2009 at 8:21 pm
Você consegue superar seu medo de céu, sim, é aos poucos mas é melhor do q deixar de tentar, n? E quanto às lembranças, acho q vc é apegada à elas, as q vc n esquece, as q vc esquece, bem, talvez elas n sejam tão importantes…Pior eu q esqueço as importantes e as desimportantes..rsrs..
Bjs!!
=1
Novembro 7, 2009 at 12:05 am
Que bom que deu certo. A história das girafas merecia um post aqui no blog.
Foi mó legal. Não teve SandraRosaMadalena, mas foi legal.