aula de biologia

Maio 6, 2009

Nunca entendi muito bem o conceito de amputação. Como, meldels, como a perna poderia continuar coçando e doendo se já não está mais entre nós? Ok, ok, tem os tais nervos. Danem-se os nervos! Ficava arrepiada só com a ideia de espreguiçar o braço, tranquila, na tentativa de coçar um joelho que, surpriiiiiise!, não existe. É tipo uma piadinha cruel e biológica eterna: ha-ha, você não tem cotovelo – mas já teve um dia!, ha-ha. Enfim, cruel.

Só que hoje, há alguns minutos, eu pude observar o conceito virar prática. E não, não foi assistindo a um daqueles programas médicos horríveis do Discovery Home and Health ou do People + Arts, esse safadinho. Foi o celular do meu pai, a vítima.

Daí que ele estava no carro (meu pai, não o celular. Quer dizer, o celular também estava), conversando animadamente com mamãe, quando passa um cara em sua moto, mete a mão na janela aberta e agarra o aparelho. Segundos de luta sofrida e o cara ganha por nocaute de 50% – leva só a tampa do telefone flip. Quando entro no carro, topo com o teclado e os restos mortais do antes tão bonitinho celular.

Não dá cinco minutos, alguém tenta ligar pra ele.

E o teclado vibra e acende, tentando coçar a cabeça que se foi.

Brrrr.