Meus Kens e o caso Eloá
Outubro 28, 2008
Vou te contar: no alto dos meus doze anos, eu era apaixonadjeenha por um menino da minha sala e dava o nome dele aos meus Kens. Até conhecia meninas que já tinham beijado, mas começar a namorar um cara sete anos mais velho não fazia parte dos planos de ninguém. Talvez por isso o caso da “menina Eloá” – sim, é assim que eu o chamo – tenha chocado não só a mim, mas o país inteiro. E olha que tudo anda chocando o Brasil, né verdade. Já tá sem gás de tão choco.
Já ouvi discurso de todo jeito. “Tem que proibir namoro de pessoas tão jovens! Tem que trancar as filhas em casa!” Talvez não seja o caso… nem a solução. Pedofilia virtual tá aí pra provar que tem louco de tudo quanto é jeito e em quase todo lugar.
Eu me pergunto se a Eloá tinha amigas, lia revistas, conversava com a mãe. Nem por causa do Lindemberg e seus sete anos de diferença – tem muita gente que se orgulha de namorar caras mais velhos e ninguém fazia tanto alarde disso quanto agora. Mas me pergunto se ela era aquela menina normal da escola que ri alto quando ouve uma fofoca, manda bilhete na aula e tem uma quedinha pelo professor de Ciências. Se tinha amiguinhos apaixonados por ela e sonhou em só pegar na mão. Se teve um amor platônico antes do maduro. Coisas vitais, gente.
Dá pena quando penso na resposta. Essa menina não teve ingenuidade, meu Deus, não teve amadorismos sentimentais. Só descobriu que deu bola pro cara errado quando… morreu. Tem coisas que não dá pra trocar por um namorado mais experiente e com nome difícil. E nesse quesito, meus três Kens Lucas têm muitas vantagens a mais.