Sobre aeroportos e mosquitos
Agosto 20, 2008
Ai, as pessoas insistem em quebrar a magia!
Seguinte: eu amo aeroportos. Sempre amei aeroportos. Depois de castelos medievais, casarões abandonados e pradarias, são os melhores lugares para fazer um filme. É, fazer um filme, saca? Filmar cenas… e tal. Veja só O Terminal e Prenda-me Se For Capaz, com o pequeno obsessivo Tom Hanks: ele também adora aeroportos, tá sempre lá! As cenas mais tilindastchuquinhas de Simplesmente Amor acontecem e/ou envolvem aeroportos na jogada e, well, pelo menos eu amo os três filmes citados. Além disso, tenho mega lembranças felizes de infância, que envolvem aeroportos (claro), gelecas fedidas e pássaros de olhos puxados, mas vocês não têm nada a ver com isso, né. Vamos aos fatos: eu amo aeroportos. Ficou claro, acho, né? Amo.
Hoje eu fui a um aeroporto. Não, não a UM aeroporto, fui no mais fantástico, lindo, grandalhão e abarrotado de nadadores olímpicos do mundo: o de Guarulhos. Não, não importa que a asa A parece uma garagem velha de trens abandonados (aliás, mais um bom lugar para fazer filme), nem que a Pizza Hut cobre vinte-e-absurdos-cinco reais por um mísero pedaço de pizza – batatas smile acompanham, sim senhora!, quero a promoção sim. Enfim, xô voltar ao tema: tava lá em Guarulhos, feliz, contente e fascinada com qualquer coisinha, esperando minha doce irmã do meio pegar seu British Airways rumo a Madames Tussauds, rainhas e tudo mais.
[momento smile sorridente e chorante, vulgo :')]
[fim do momento :')]
E nisso, depois de despedidas, lágrimas e mande-notícias-do-lado-de-lás traga Judes Laws agradecida desde já, eiiis que resolvemos ver o avião partindo, porque minha família é tudo loco loco loco sofredô emotivo, néam? Até demais. Prosseguindo!, fomos até o janelão assistir à partida (hahá, e não é de vôlei!) e tchanam, eis que um casalzinho muito simpático e fofolino pára ao nosso lado e começa a comentar sobre o vôo no qual, por sinal, minha little sis se encontra. O netinho deles acabara de embarcar de volta à terra da tia Beth e eles achavam que em questão de dias o garotinho esqueceria das férias que passou no Brasil (sim, eu presto atenção na conversa alheia. Mesmo).
E falam do vôo. Do outro avião na pista. Do carrinho levando as bagagens. Do homenzinho fazendo sinal pro carrinho das bagagens. Sobre o tamanho do avião da Gol. Sobre o tamanho do avião da Tam. Sobre como o avião da Tam é maior que o da Gol. Sobre como aquele avião da Tam deve ir pra Portugal, por causa das cores. Tudo precisa ser comentado, analisado, discutido com os demais presentes, e olha só, o avião manobrando de novo.
E volta a falar do vôo. E do cara na pista. E das malas. ARGH, DEUS! QUE-IRRITANTE! Imaginem esse casal em qualquer outra situação, comentando o óbvio ululante que acontece à sua frente. Por exemplo:
“Ah, mas olha só, ele está destacando um pedaço do pão em sua mão. Olha, olha!, ele jogou o pequeno pedaço destacado de pão para a doce pomba cinzenta. Ei, ei, olha a pomba cinzenta indo comer o pão. Ah, que coisa linda, minha gente, esse milagre da natureza, a pomba comendo pão. Olha só que bico afiado o dela! Mas será… mas será que a pomba é maior ou menor que o gavião que de longe avisto? Aah, esse gavião é português, olha só as costas dele, tem as cores da bandeira e…”
ou quem sabe:
“Mas esse moço, o Jack – chama Jack, né? -, ele tá morrendo? Oh, sim, parece estar morrendo, olha só como ele gradualmente fica mais azul, pendurado que está nesse toco de madeira. Ai, será que a Rose vai deixá-lo ir? Eu acho que sim, hein, eu acho que sim! Oh! Oh! Olhem só, a Rose está largando ele! Como ela sofre, coitada, acredito que em pouco tempo lágrimas escaparão de seus olhos! Ah, DiCaprio está decolando afundando. Mais e mais! Será que ele não vai manobrar quando chegar no final da pista do mar?”
E se o avião quiser fazer umas piruetas psicodélicas? E se o carrinho de bagagens explodir em mil pedaços superbacanas supercaetanos? E se o DiCaprio volta em “Titanic II” com um sorriso, um jornal debaixo de braço, gritando “querida, chegueeei!”? Você vai precisar dizer “MEU DEUS, QUE INESPERADO, O CARRINHO EXPLODIU E O DICAPRIO VOLTOU, CORRAM PARA AS MONTANHAS”? Argh. Além do óbvio, amigo, é isso aí.
E contar spoiler até em aeroporto? Eu não quero saber ainda se o avião vai ou não vai. Deixa ele se decidir.
Tsc. Quebram a magia.
Agosto 20, 2008 at 4:07 am
Muito legal!!
) Poxa, olha só como é bom as pessoas escreverem sobre aviação… descobri o seu blog graças ao google search blogs com palavra relacionadas ao meio aéreo…
Adorei a frase do cabeçalho sobre maturidade…
))
Parabéns!!!
Portal Meio Aéreo – Comissários de Bordo
Agosto 20, 2008 at 5:12 pm
De nada mais penso a não ser no samba do avião.
hahahaha
Agosto 20, 2008 at 6:18 pm
poxa é legal fazer isso no cinema, quando vc está assistindo Batman pela segunda vez….
mentirinha….
era só pra descontrair
Agosto 20, 2008 at 6:29 pm
só pra constar o comentário acima é meu! tava logada… ¬¬
Agosto 20, 2008 at 6:42 pm
Ahhh aeroporto!!! eu amo ir no hagar onde ficam os avioes do papai ver eles por dentro *-* o maquinario!!!! é tudo tão magico… mas papai não me deixa ficar la mais… porque só tem homem trabalhando e eu sou uma distração pra eles u.u bando de tarados… acaba com a magica… mas usar aqueles fones de ouvido anti ruido é sempre tão emocionante que vou pra lá sempre que possivel =D
Agosto 20, 2008 at 11:30 pm
Também amo aeroportos *-*
E de qualquer jeito, o óbvio ululante é legal. Legalzinho. Tá, não super cool que nem os velhinhos achavam e… ah, eles são velhinhos curtindo as coisas simples da vida.
Deixa eles.
Agosto 20, 2008 at 11:57 pm
tenho uma certa raiva de aeroporto… eu não sou uma das pessoas que mais gosta de viajar de avião e talz (tipo.. já usei os saquinhos de vômito) … mas é bonito… (o aeroporto, não o saquinho de vômito)…
Agosto 21, 2008 at 12:25 am
pombas não são doces e fofas.
pombas são sujas e nojentas.
só pra ter certeza de que você sabe e não foi contagiada por “apreciação a tudo que não é óbvio ululante”
Agosto 21, 2008 at 12:55 am
fiquei em dúvida se o spoiler era sobre o titanic…
Agosto 21, 2008 at 2:41 pm
Tá bom, eles são velhinhos mas ahhhhhhh… Dá uma raiva desgraçada.
Outro dia tava vendo um filme e tinha duas senhorinhas atrás de mim. Aí mostrava a menina pegando o cara e elas: “Nossa, mas ela tá beijando o cara… Que feio, não pode beijar assim” e por aí vai…
Ah, faça-me o favor né??
Beijooo
Agosto 21, 2008 at 7:50 pm
É, aeroporto é sempre complicado. Pra mim, extremamente. A verdade é que nunca tem muita coisa de mágico pra mim. Só de choro e de lágrimas.
Eu juro que a minha vida não é novela mexicana, mãe!
Agosto 22, 2008 at 12:51 am
Hmmm…talvez se você tivesse ido lá e apertado o umbigo deles, eles interrompessem a narração em closed caption. Ou não, talvez eles só continuassem =\ ( “Oh, veja, a moça apertou minha barriga! O que será que ela quis dizer com isso? E agora ela fez cara de frustrada e…veja! Está se afastando de nós e gritando!”). Guarulhos também é meu zaeroporto preferido, apesar de eu nem conhecer tantos aeroportos assim…mas ele é grandão, espaçoso, cheio de estilo. Nota dez e um dedão pra cim pra Guarulhos!
Agosto 25, 2008 at 12:36 pm
hahahaha! genial! foi o post reclamação mais sutil e legal que já li!
Setembro 25, 2008 at 1:33 pm
Bom ter essa perspectiva de quem tava do outro lado haha
Porque você não disse: “Olha, quer narrar o que acontece enquanto eu dirijo minha mão à sua cara?”
PS; Não vou ao Madame Tussaud, custa muito caro
PS2: Tá difícil achar um Jude Law por aqui, mas work in progress…já conheci um principe William, serve?
PS3: Acho que não é mais spoiler, mas o avião declou sim, viu
Dezembro 7, 2008 at 5:56 pm
[...] só pra contar que na última sexta-feira eu resolvi sair por cima da carne seca. Aproveitei que minha broa voltou das Oropa e peguei emprestado um vestido vindo diretamente das terras da rainha. Tasquei o Mary Jane/Melissa, [...]