Eu vilã

Julho 21, 2008

Ok, eu admito!, é culpa do Batman. Aliás, antes fosse do Batman – quem sabe as influências fossem melhores -, a culpa é toda do Coringa. Talvez do Heath Ledger, mas principalmente do Coringa. Já falei que ele é fantástico, lindo, tudo-poderoso, aquela coisa, cierto? Poiséam. Mas ele conseguiu ser mais. Ele conseguiu ressaltar uma característica minha de tal modo que não posso mais negá-la.

Eu nasci pra ser vilã de histórias em quadrinhos e filmes de super herói. Pronto. É isso aí, me aceitem se quiserem. Na verdade, me aceitem coooisa nenhuma! Agora eu sô vilã e ninguém vai misigurá. 

Olhem, eu sei que tenho talento pra coisa, tenho mesmo! Pra começar que eu concordo com tudo que o Coringa fala, ok? Ele tem razão, cara, ele tem argumentos! E é um grande, grande sonho libertador queimar uma pilha de dinheiro. Se eu entrasse pra gangue do Joker, poderia acender o fósforo. Seria feliz. Aliás, qual é a felicidade dos vilões? Podem ser tantas! Matar o mocinho, derrubar o mocinho, estraçalhar o mocinho, almoçar o mocinho… agora, pergunta se o mocinho tem felicidade? Tem nada! A grande obsessão dele é pegar o vilão e isso o deixa triste, porque ele tem que fazer academia e usar cueca por fora da calça pra ficar pau a pau (iih, frase esquisita) com o vilão. Coisa mais chata.

Heróis são tolhidos criativamente. Eles têm que fazer aquilo que acham que é bom pra uma cidade que nem os aceita como cidadãos normais, nué? Se eles fazem uma besteira qualquer, pronto, vodel pro lado deles. Já os vilões nãão, eles têm a liberdade de fazer o que quiser, como quiser e quando quiser. Ponto pros malvadjenhos.

Mas voltando às minhas habilidades vilonísticas (?), eu tenho mais delas, ok! Desde pequenininha eu sei a fazer a gargalhada fatal coisa nenhuma do Mau. Tive uma infância triste e cicatrizes. Táá, ok, não tive infância triste, mas a cicatriz consta: aquele trágico acidente com o copo de requeijão me tornou uma pessoa má, muito má, no alto dos meus onze anos. Nunca mais fui a mesma. E meu pé, então! Ele é um pé muito amargo, desiludido. Só um deles, o outro é bacana. Preciso aniquilá-lo.

Eu tenho uma ou outra habilidade marcial, também, sabe. Meu rosto, pela manhã, é minha arma secreta. De resto, sempre posso contar com meus não-talentos sonoros. Se um mocinho babaca vier pra cima de mim, mando logo um NX Zero em falsete na fuça dele. Não me responsabilizo por qualquer seqüela. Aliás, vilões não se responsabilizam por nada, então esqueçam a sentença anterior.

Já mandei esquecer!! Vou precisar usar meu golpe Marisa Monte Fanha em você? Hmm?

Mas o meu grande trunfo é o fato de não parecer vilã sob nenhum ângulo. Se eu me apresentar como uma, as pessoas provavelmente rirão da minha cara enquanto respingam bebida na minha camiseta da Amélie. E isso ia ser ótimo!, porque eu me tornaria mais rancorosa, revoltada e todos os outros whatevers que os bad guys devem ser. Aí sim que eu ia ficar complicada de lidar. Ia começar a andar com as pessoas erradas, queimar pilhas de dinheiro (oh yay, diz que sim!!), me maquiar mal. Ia gastar toda a pasta d’água aqui de casa, ia bandear pro lado negro da força, mas sem perder a classe nem as cores. Vilão usar só preto é móóóito anos noventa.

Aliás, eu não faria a linha vilã-sexy, estilo Erva Venenosa porque ai, elas são soooo boring! Eu ia ser meique um Coringa feminino, saca? Perturbada, loucassa da Silva Sauro, mas genial, caotiquinha e com um sobretudo roxo puro luxo. Além de naturalmente modesta, é claro. E cara, como eu ia ãmar testar as pessoas, fazer estudos sociológicos com bombas e navios, rir doentiamente enquanto o herói faz de tudo pra, coitado, fazer da cidade um lugar melhor, sendo que ele não vai conseguir. Eu teria o melhor emprego do mundo. Que nem o Curinga minha vida, minha história e meu amô.

Mas bah, que que eu tô falando? Não posso ser vilã, mesmo. Não iam aceitar uma pessoa que usa as palavras “caotiquinha”, “luxo”, “meu amô” e “Marisa Monte” no clube dos caras maus, beberrões e psicóticos.

Droga de vocabulário queima-filme.