Se joga no buquê

Maio 15, 2008

Acabei de ver Orgulho e Preconceito (uhum, vem mais por aí :P ) e resolvi assistir aos extras. Deus, são muitos extras, mesmo, mas um deles me chamou a atenção, não que fosse exatamente uma novidade: falava sobre casamentos no final do século XVIII, início do XIX. Aquela coisa toda de que pessoas de classes sociais diferentes não poderiam, em tese, se casar. Eram anos difíceis para os sonhadores – Jane Austen included. Tadinha. :(

Mas enfã, os casórios. Hoje em dia ninguém mais combina casamentos ou troca alianças para saldar dívidas familiares – ou em tese, ao menos. As pessoas casam porque… hum. É uma boa pergunta. Seria exagerado dizer que as pessoas, hoje em dia, pretendem se unir por toda a eternidade com seus pares… principalmente porque a eternidade tá durando cada vez mais. Eta eternidade que não chega logo.

Quando o povo todo morria aos quarenta anos, não era difícil ficar casado até que a morte os separe. Atualmente, senhôures de 90 anos fazem cooper, e casais juntos há quarenta anos pensam em divórcio (ou pelo menos é o que consta em O Círculo de Giz Caucasiano, do Brecht – texto ótemo, por sinal). Afinidades, aparência, cumplicidade são muito mais importantes para determinar a longevidade de um casamento do que eram há dois séculos. Aliás, ninguém cogitava o divórcio na época da Jane; ficava mal-visto, mal-falado, mal-tudo.

Acho que o casamento não é mais a razão de vida de ninguém, é uma decisão menos apressada (ou bem o contrário ahueha). Homens e mulheres podem se dar ao luxo de ter pavor de compromisso ou trocarem de par como numa quadrilha, um viva ao século XXI! E não, não tô sendo irônica não.

Utopia ligou e mandou dizer que quando a gente se casa por livre e espontânea vontade, tem mais chances de dar certo. Afinal, escolhemos nossos pares depois de uma seleção que daria inveja ao InMetro. Talvez não seja assim, mas é legal acreditar que temos liberdade de escolha, sem precisar torcer para que um Mr. Darcy dos bons caia no nosso colo, lindo, leve, rico! e totalmente apaixonado.