And I’m a fanatical girl
Março 31, 2008
Tem gente que não sabe mesmo gastar dinheiro, néam? Tipo essa moça que se desapegou de 52 mil dólares em um leilão, só pra ir na estréia do filme Sex And The City e conhecer a chatonilda da Charlotte, digo, da Kristin Davis. Na dúvida, a desprendida material girl levou pra casa também um par de sapatos Jimmy Choo, que devem custar, marromenos, uns 52 mil dólares.
Se eu tivesse esse dinheiro todo na mão, já tinha virado vendaval. Ia satisfazer todos os meus desejos de fã louca, mas com dignidade e sem Charlottes.
Eu ia comprar a bandana original do Jack Sparrow (não, não me importa que não tá à venda, eu tenho 52 mil dólares! Mais! Muito mais! Mwahaha!) ou a cartola do Wonka, de preferência com um fio de cabelo do Depp amorosamente preso ao chapéu. Jamais compraria um encontro com o Johnny, porque eu realmente gosto do estado em que o meu coração se encontra no momento, batendo (e) calminho.
Ia dublar alguém em um filme do Burton, ia saracotear por Salzburgo com Julie Andrews (e roupas de brincar); ia fazer uma ponta num filme do Woody Allen ou num clipe do Mika. Ia comprar o sabre de luz do Luke, i’m your father, e causar nos estúdios de Gloucester, até que Rupert Grint me chamasse pra sair, todo pimpão, para dar uma volta na London Eye. Ia mandar embrulhar o Jamie Cullum pra presente e entregar em casa, ele é baixinho mesmo…
Dinheiro não traz felicidade, mas duas passagens carimbadas de ida-e-volta pra Volta Redonda Londres, com direito a premiéres, roupas chiquetosas e bandanas cheias de penduricalhos piratas, bom… acho que até iam me alegrar um pouquinho.
Admirável Mundo Míope
Março 24, 2008
Foi minha querida cachorrinha boxer que me apresentou àquele mundo mágico.
Era uma tarde chuvosa, ela (a boxer) estava entediada e comeu meu óculos. Isso, ela comeu o meu óculos. À guisa de desculpas, me entregou um envelope em mãos. Era uma passagem pro glorioso mundo novo chamado Miopia. Fiquei furiosa e encantada ao mesmo tempo – mais encantada, confesso, porque ela sabe imitar o Gato de Botas do Shrek como ninguém. E viajar é sempre bacana, né.
Nesse mundo paradisíaco, ninguém se atêm a grandes e sólidas formas, é tudo bem pós-moderno. Pessoas, ruas, postes e carros se fundem em uma confusão urbana e colorida. Pareceria um trecho de Yellow Submarine, só que sem os carinhas azuis e os cortes de cabelo esquisitos, porque em Miopia não existem cabelos, só formas esdrúxulas. Sim, a Amy Winehouse é Míope, certeza.
Aliás, os habitantes de Miopia são criaturas serenas e singelas, subordinadas a criaturas superiores, as Lentes. São verdadeiros déspotas, esses seres. Apesar de aparentemente frágeis e de viverem constantemente em dupla (salvo raras exceções, como a família Monóculo, cujo reinado foi derrubado no início do séc. XX), as Lentes são verdadeiras pragas, sobrevivendo apenas em relações de comensalismo da morte com os Míopes. Uma vez que uma das Lentes morre – ou, em casos mais graves, ambas -, o Míope automaticamente tem sua existência comprometida. Tipo, ele morre. Triste.
Mas nada pode ser pior a um Míope sem Lente do que continuar vivendo. A pobre criatura perde a visão e é reconhecida como inferior em relação aos demais Míopes. Há quem adquira as tais Lentes de Contato, introjetadas no próprio olho, apenas para continuar enxergando, mesmo sem ascendir em status na sociedade. A dignidade de um Sem-Olhos, como são chamados os perdedores de Lentes, jamais volta ao que era antes.
A experiência de colocar uma Lente de Contato é, em geral, bastante traumática e rara, como pode verificar-se abaixo, em uma foto bastante popular na comunidade Míope:

Depois de uma tarde no shopping convivendo entre os Míopes, decidi encerrar minha viagem e voltei para minha Terrinha tão amada. Miopia é bacana, mas não se pode comparar ao conforto sólido e não-amebóide que só o planetinha azul pode oferecer.
Mas quando ninguém tá vendo, eu desço meus óculos até a ponta do nariz e fico olhando as luzes noturnas de Sampa com meus olhos ceguetas que não enxergam muito longe. E, quer saber?, é bacana pra caramba.
Armawebdon
Março 19, 2008
Então você liga seu computador, feliz e tranqüila, esperando aquele e-mail simpático do seu amigo que mora longe ou aquele scrap tão aguardado. Abre o Explorer de sua preferência, já esperando pela familiar página inicial e… ela não está lá. Apenas um sóbrio aviso, em letras garrafais, ocupa toda a página:
A INTERNET ACABOU.
Piada, né. Claro. Dã. Essas propagandas em flash, cada dia mais sofisticadas, danadinhas. Você tenta entrar no Orkut. No blog. Até no fotolog, que há tempos não vê uma atualização. Nada. Sempre a mesma frase assustadora. Propaganda besta, né? Boba.
Você, otimista como sempre, acha que é um vírus que tá destruindo seu computador. Liga para os conhecidos. Alguns já sabem, estão sem palavras. Sua melhor amiga está em prantos, falando coisas desconexas como “o msn não entra ele fica girando ai meu Deus acabou a internet ai o que eu faço e o scrap do Marcinho ai não pára de girar esse bonequinho idiota que saco eeeentra msn eeeentra”.
Não é propaganda, é real.
A coisa ganha repercussão mundial. Pessoas enlouquecem. Empresários se jogam no rio Pinheiros – a Globo filmou tudo. Espertalhões tentam acessar o WAP do celular e, obviamente, não conseguem nada. Aos poucos, as pessoas voltam a assistir televisão, ler, ir aos parques…
É o fim da aventura humana na web. Mas, pra muitos, o começo de mil outras aventuras.
Pena que não ia dar pra contar tudo isso no blog depois. Hunf.
Everybody is filhos de God, mas meu God é mais legal
Março 17, 2008
Uma das expressões que mais me intriga é “meu Deus”. Pode parecer idiota, mas é verdade (e isso não anula sua idiotice. Veja as subcelebridades do BBB. Verdadeiras (e) idiotas).
Mas é um fato. Qualquer pessoa, de qualquer religião ou crença, pode virar e soltar um “meu Deus!”, seguido ou não por exclamação, pra exprimir seus sentimentos sobre qualquer assunto. O acidente de carro que apareceu na tevê, a fofoca boa, uma festa-surpresa; todas essas situações podem render facilmente um ”meu Deus!”, com a entonação que funciona melhor, é claro.
E pô, será que alguém para pra pensar no “seu” Deus de vez em quando? Hoje em dia, os fiéis estão cada vez mais abertos a novas possibilidades: o cristão não deixa de amarrar a fitinha do senhor do Bonfim no pulso, muito menos de pular as sete ondas de Iemanjá ou trocar idéia com o seu vizinho, que é rabino. É quase uma espécie de individualização da fé. Ah, essas especializações modernas, esses nanopúblicos. Dia desses Deus vai criar um blog direcionado aos Seus diversos alter-egos espalhados pelo mundo.
Para fiéis especializados, Deus, que é onipresente, tem que se virar pra atender a demanda. É gente que muda de religião, achando que a anterior não trazia paz de espírito suficiente; tanta gente chamando o nome Dele em vão. Botam Seu rosto em filmes, livros, Segredos; chamam ele de Luz, Força Universal, Zeus, Megarresfriadon (é, ele de novo). E isso é muito bacana. Um mundo cheio de crenças é super enriquecedor.
A graça de ser Deus, imagino, é justamente ser muitos em Um só. É agradar a gregos e troianos, que na verdade não sabem qualquer coisa sobre a Vida, o Universo e Tudo Mais, mas fazem muitos palpites. É ser o Olimpo inteiro e, ao mesmo tempo, andar ao lado de Odisseu, ostentando um par de olhos verde-mar. O importante é ter fé, mesmo que seja na não-fé. Ter uma convicção e ser fiel a ela, até descobrir que, na verdade, a convicção era outra, mais profunda, diferente mas a mesma. Sei lá eu.
Por mim, o legal mesmo é acreditar que tem alguém prestando atenção nos seus passos, andando ao seu lado; mesmo que não seja por cima da água, se Ele não quiser.
Semcessão
Março 14, 2008
Fazer concessão é saudável, néam? Cada dia tem uma nova. Deixar a senhora sentar no banco do ônibus; usar a luva e não o anel. Ah, as escolhas, que grande e glorioso mundo o das escolhas. Não se pode ganhar todas. Quando ganha, já é perdedor de alguma coisa. A vida é assim mesmo.
Outro dia engatei um papo na facul com uma amiga minha, que preza pela qualidade de ser genial. A gente falou de concessões, de abandonar uma coisa que a gente ama pra fazer outra que é necessária, premente. Isso porque a gente tinha acabado de sair de uma conversa sobre, sei lá, amores platônicos e Odisseus internos. Superbacana. Isso que é vocação pro jornalismo, vai dizer. Multitemática é a cor da estação.
Hoje, no mercado, eu fiquei lembrando das tais concessões que a gente tinha discutido. Perder pra ganhar, abandonar pra ter. Crescimento existencial, pureza da alma, altas áureas violeta. Buda, I-ching, felicidade plena, monges tibetanos e aqueles panos esquisitos porém superestilosos que eles usam.
Mas não quis nem saber.
Aquele ovo de Diamante Negro me viu primeiro, raios.
Hunf.
Amigos amadores
Março 11, 2008
amigo
a.mi.go
adj (lat amicu) 1 Que tem gosto por alguma coisa; apreciador. 2 Aliado, concorde. 3 Caro, complacente, dileto, favorável. 4 Dedicado, afeiçoado. sm 1 Indivíduo unido a outro por amizade; pessoa que quer bem a outra. 2 Colega, companheiro. 3 Amador. 4 Amante, amásio. 5 Defensor, protetor. 6 Partidário, simpatizante. 7 Aliado.
Bota aí que não podia ser mais clichê começar um post sobre qualquer coisa com uma definição de dicionário de… well, qualquer coisa. Mas às vezes esse meio neurótico meio de organizar as palavras deixa tudo um pouco mais simples. Resumido, eu diria, simples não.
Porque não é simples começar a ser amigo de alguém. Sei lá, quando você sai da barriga da sua mãe, nem tem que fazer muito esforço; cada membro da sua família, indubitavelmente, no mínimo já fez um “cadê a titiiiiia? Achôô, gugu, achôô!” pra você. Sua vida de afetos e coisas do gênero é muito mansa, no começo. Claro que tem mãe doida varrida que bota o filho num saco de lixo e depois vem dizer que não fez nada disso e é tudo intriga da oposição e blablabla whiskas sachê for life!, no geral sua família gosta de você, ou pelo menos uma vivalma tem uma tendência muito forte a ir coa tua cara. Mesmo que isso venha a mudar com o passar dos anos. E muda mesmo, prontofalei.
Êêêniuêi, amigo é diferente. É a primeira conquista pessoal, o primeiro vínculo com você mesmo, saca? Não, nem eu saquei essa última frase. ’Cuntece que o afeto do amigo não é entregue de bandeja, assim, não; vai precisar dum montão de afinidades em comum, brincadeiras, piadas, segredos e lanchinhos no recreio para você, afinal, poder olhar na cara daquela criança remelenta de oito anos e dizer “puutz, caaara, você é meu amigo”, com toda a profundidade do seu ser de oito anos.
Tem gente que cansa de brincar e pula fora antes mesmo de alcançar o seu pacote de salgadinhos pela derradeira vez; vai lá fazer amizade com a onça, que é muito mais bacana e selvagem que você. Mas um (ou mais!) sempre acaba ficando, ali, firme e forte, filando o Fandangos e/ou te abraçando, quando tudo o que você mais (achava que) queria era ficar sozinho.
Eu posso me considerar sortuda. Tenho amigos (sim, no plural) que significam o mundo pra mim. Gente que nem sabe da verdadeira fucking importância que um simples “ooooe” pode ter no meu dia, ou como uma lembrancinha singela da minha pessoa já me causa um baita dum sorriso que dura horas. Amigos, sim, que eu não sei se vão estar ao meu lado forevers, mas que certamente já estão em mim (ui) há muito tempo.
De todas as definições do começo do post, a que mais me apetece (ler dicionário faz um beeeem) para definir um amigo é… amador. Parece ingratidão, néam? Pois meus amigos são um bando de amadores! Não só amam e querem bem quem tem por amigos; não só simpatizam e protegem seus aliados. Na busca de entender o outro, torna-se amador do amigo; alguém tão próximo a ele que não pode ser ele. Amador de si mesmo e do outro. Amigo que é amigo entende a dor do outro como se fosse sua; do mesmo modo, sente a alegria do outro só num olhar de relance.
O amigo é um amador.
(Desculpinhaê, Pessoa. A gente se acerta depois, mas os amigos vêm primeiro.)
Queen foi tão feito pra mim
Março 9, 2008
Chippin’ around
Kick my brains around the floor
These are the days it never rains but it pours
Um estudo (ou não) em vermelho
Março 7, 2008
Esses dias fui ver “A Culpa é do Fidel!” com uma amiga da faculdade. Cara, qualquer filme que retrata os fatos sob uma perspectiva infantil me anima muito, eu surto, acho lindo antes de entrar no cinema. Ou não, pelo contrário, fico o mais chato dos seres, falando que uma criança não pensaria daquele jeito. Sim, eu tenho conhecimento de causa e guardo minhas Barbies embaixo da cama, beijos.
Quando eu era menor, pensava tão absurdamente igual à menininha do filme que tenho até medo. Ok, legal que todo mundo vai ter casa se a moda do comunismo pegar, mas não quero doar minhas bonecas nem comer coisas estranhas. Tudo bem fazer caridade, se no caminho de volta a gente puder parar no McDonald’s, vem um bichinho lindo no McLanche Feliz que eu preciiiiso ter.
Aí aos poucos a gente vai mudando. Aparecem uns livros bons, uns professores de história, até mesmo umas frustrações. E começa a olhar pros lados, putz, e não é que há mais do que o meu umbigo? Pois é. É sempre um choque, diga-se de passagem. No próprio filme, nem demorou muito pra acontecer; questão de meses até que a garotinha entendesse que os “barbudos” não eram de todo maus.
Palma palma palma, não priemos cânico! Não tô querendo dizer que todo mundo que cresce vira comunista (embora eu acredite que Gael García Bernal tenha influenciado uma meia dúzia de hormônios, digo, adolescentes que eu conheço). Quero dizer que a noção de dimensão do mundo vai se alterando, não importa para que (ideologia? partido? utopia??) lado a gente vá bandear. E isso é bom. É saudável. Ajuda a entender por que a saída daquele “barbudo” cubano causou uma señora revolución. Esses dias mesmo estava discutindo com a Carol (irmã do meio, prazer): “já acho que vivi muito; vi o Fidel saindo do poder e o Brasil podendo liqüidar a dívida externa”.
O comunismo em Cuba tá tão enraízado na gente que parecia impossível de acabar, mesmo que o Fidel já tivesse uns duzentos anos (e ele tá chegando lá). Ainda assim, não significa que o “sonho comunista” acabou, só porque o Castro retirou-se do tabuleiro: já tinha acabado há bastante tempo, infelizmente. Por mais linda e fantástica que a idéia do comunismo seja - e é -, não é tão viável quanto pensavam os “barbudos” do filme. É preciso quebrar um monte de noções e vontades que os homens-porcos capitalistas levaram um tempão construindo. O comunismo só pode começar a ter corpo quando a gente não só achar que existe mais do que o próprio umbigo, mas se preocupar com o umbigo dos outros e até que ponto o meu umbigo não atrapalha o cresciemento do seu.
Mas essa revolución, nem Gael conseguiu fazer. Ainda.
Apareceu? Perdeu
Março 3, 2008
- Gente, gente, olha a calcinha daquela famosa! Olha, olha, a celebridade surtada! Nossa, sabia que a X corneou o Y? Sabia que a Y passou a perna na Z? E você viu a foto da Z pelada na internet?
Bocejou? Venha comigo, vamos montar um clube. O que não falta hoje em dia é um palhaço gente querendo aparecer, não importa como. Aliás, isso tende a ficar cada vez mais perigoso. Se a idéia de aparecer sem calcinha já é batida, eu me pergunto, o quê as famosetes vão mostrar, então? Sério, me poupe dos detalhes sórdidos, acabei de jantar.
Se eu quisesse ajudar as Paris-wannabes, diria que tudo que elas precisam é mais originalidade e um tanto menos (ok, bem menos) de pudor. Tem que aprender a ser desprendida, sabe? Da vergonha, do medo da opinião alheia, de roupas em geral. Mas tem que gostar de rasteirinhas – principalmente de distribuí-las.
Querer aparecer é feio-bobo-e-mau. Mas pior do que tudo isso é tentar e…. não conseguir. Morrer na praia com fama de louca, doente ou – tremei! – aparecida. Queima o filme totalmente, é tipo falar alto o valor das cartas antes de bater. O povo anda esperto, não cai em qualquer foto da Vanessa Hudgens pelada.
Aparecida que é aparecida nunca deve parecê-lo.